6ª feira da 5ª Semana do Tempo Comum
Antífona de entrada
Venite, adoremus Deum et procidamus ante Dominum: ploremus ante eum, qui fecit nos: quia ipse est Dominus Deus noster. Ps. Venite, exsultemus Domino: iubilemus Deo salutari nostro. (Ps. 94, 6. 7 et 1)
Vernáculo:
Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemo-nos ante o Deus que nos criou! Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor.(Cf. MR: Sl 94, 6-7) Sl. Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos o Rochedo que nos salva! (Cf. LH: Sl 94, 1)
Coleta
Velai, Senhor, nós vos pedimos, com incansável amor sobre a vossa família; e porque só em vós coloca a sua esperança, defendei-a sempre com vossa proteção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — 1Rs 11, 29-32; 12, 19
Leitura do Primeiro Livro dos Reis
11, 29Aconteceu, naquele tempo, que, tendo Jeroboão saído de Jerusalém, veio ao seu encontro o profeta Aías, de Silo, coberto com um manto novo. Os dois achavam-se sós no campo. 30Aías, tomando o manto novo que vestia, rasgou-o em doze pedaços 31e disse a Jeroboão: “Toma para ti dez pedaços. Pois assim fala o Senhor, Deus de Israel: Eis que vou arrancar o reino das mãos de Salomão e te darei dez tribos.
32Mas ele ficará com uma tribo, por consideração para com meu servo Davi e para com Jerusalém, cidade que escolhi dentre todas as tribos de Israel”. 12, 19Israel rebelou-se contra a casa de Davi até ao dia de hoje.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 80(81), 10-11ab. 12-13. 14-15 (R. cf. 11a. 9a)
℟. Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!
— Em teu meio não exista um deus estranho nem adores a um deus desconhecido! Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor, que da terra do Egito te arranquei. ℟.
— Mas meu povo não ouviu a minha voz, Israel não quis saber de obedecer-me. Deixei, então, que eles seguissem seus caprichos, abandonei-os ao seu duro coração. ℟.
— Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos! Seus inimigos, sem demora, humilharia e voltaria minha mão contra o opressor. ℟.
℣. Abri-nos, ó Senhor, o coração, para ouvirmos a palavra de Jesus! (Cf. At 16, 14b) ℟.
Evangelho — Mc 7, 31-37
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Marcos
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 31Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” 35Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade.
36Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Perfice gressus meos in semitis tuis, ut non moveantur vestigia mea: inclina aurem tuam, et exaudi verba mea: mirifica misericordias tuas, qui salvos facis sperantes in te, Domine. (Ps. 16, 5. 6. 7)
Vernáculo:
Os meus passos eu firmei na vossa estrada, e por isso os meus pés não vacilaram. Inclinai o vosso ouvido e escutai-me! Mostrai-me vosso amor maravilhoso, vós que salvais e libertais do inimigo quem procura a proteção junto de vós. (Cf. LH: Sl 16, 5. 6b. 7)
Sobre as Oferendas
Senhor nosso Deus, que criastes o pão e o vinho para alimentar nossa fraqueza, concedei, nós vos pedimos, que se tornem para nós sacramento de vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Ou:
Bem-aventurados os aflitos porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede da justiça, porque serão saciados. (Mt 5, 4. 6)
Introibo ad altare Dei, ad Deum qui laetificat iuventutem meam. (Ps. 42, 4; ℣. Ps. 42, 1. 2. 3. 5a. 5bc)
Vernáculo:
Então irei aos altares do Senhor, Deus da minha alegria. (Cf. LH: Sl 42, 4ab)
Depois da Comunhão
Ó Deus, quisestes que participássemos do mesmo pão e do mesmo cálice; fazei-nos viver de tal modo unidos em Cristo, que possamos com alegria produzir fruto para a salvação do mundo. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 13/02/2026
É no silêncio que Jesus fala
“Efatá!” É com essa palavra cheia de força que Jesus devolve hoje a audição a um surdo-mudo, tirado do mais profundo silêncio para escutar, como o primeiro som de toda a sua vida, a dulcíssima voz de Cristo. Mas para que esse milagre acontecesse, o Senhor quis estar a sós com ele, longe da multidão curiosa, assim como deseja estar sozinho conosco em oração, para que a sua Palavra ressoe, não apenas em nossos ouvidos, mas sobretudo em nossos corações, onde ela deve tornar-se carne e realidade operante: “Efatá”!
Jesus se encontra hoje bem ao norte de Israel, na região da Decápole, no que seria a atual fronteira entre a Síria e a Jordânia. Ali, fora dos limites da Terra Santa, num território preponderantemente pagão, o Senhor opera a cura de um surdo-mudo, cura esta que se reveste de particular importância para nós, na medida em que remete a uma necessidade espiritual comum a todos e confirmada pela Igreja por meio dos ritos batismais. Ao sermos batizados, com efeito, o sacerdote traça um sinal sobre os nossos ouvidos e a nossa boca, imitando os mesmos gestos que vemos o Senhor realizar na cura do surdo-mudo: “Colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. Olhando para o céu, suspirou e disse: ‘Efatá!’, que quer dizer: ‘Abre-te!’”. Mas esse “Abre-te!” que a Igreja pronuncia simbolicamente por ocasião do Batismo é também uma realidade que faz parte da dinâmica da nossa vida espiritual ordinária. Notemos a ordem progressiva em que o evangelista nos narra esse episódio. Em primeiro lugar, o surdo foi levado até Jesus: “Trouxeram então um homem surdo”, e, como ele falasse com dificuldade, foi necessário que rogassem em nome dele: “e pediram que Jesus lhe impusesse a mão”. Até aqui, passividade por parte do doente. Antes da cura, porém, era preciso que o surdo tivesse um encontro pessoal com Cristo, que não “terceiriza” os relacionamentos, e é por isso que o evangelista acrescenta: “Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão”, isto é, para que estivessem a sós. Foi só então que se lhe abriram os ouvidos ao doente: “Abre-te!”, e ele pôde finalmente escutar a voz de Cristo. Do mesmo modo, os que já somos batizados devemos aprofundar o nosso relacionamento com o Senhor, buscando ocasiões para estarmos sozinhos ao pé dele, a fim de escutarmos a sua Palavra, não com os ouvidos da carne, que às vezes nada compreendem do que ouvem, mas com os ouvidos da alma, para que as verdades da sua doutrina ressoem no nosso coração e transformem de fato a nossa vida. É na oração, de modo especial, que nos abrimos às graças atuais com que Ele ilumina a nossa inteligência e move nossa vontade a assentir mais firmemente à fé; é em solidão com Jesus, buscado fora da “multidão” de preocupações e ideias ociosas, que os nossos ouvidos realmente ouvem e a nossa inteligência finalmente entende a verdade daquele que “tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”. Que Ele abra continuamente os nossos ouvidos, e que a sua Palavra não ressoe em nós como num címbalo que tine, mas se torne carne em nossas vidas e realidade visível em nossas ações concretas.
Deus abençoe você!
Santo do dia 13/02/2026
São Martiniano (Memória Facultativa)
Local: Atenas, Grécia
Data: 13 de Fevereiro † c. 398
Martiniano era da Palestina, de Cesária, e havia deixado o século quando completara dezoito anos. Vivia, então, ao pé de uma montanha, e, tantos progressos fizera nas virtudes, que operava milagres.
Ora, um dia, o demônio determinou perdê-lo. E, agindo numa mulher de má vida, fez com que o tentasse, desejando-o como marido.
Zoé era linda e toda frescor. Disfarçada de pobre, ao cair de uma fria tarde, foi bater-lhe à porta da cela, pedindo abrigo por uma noite, choramingando, dizendo que não tinha onde ficar. Comovido com a indigência daquela mulher, Martiniano consentiu em recebê-la. Deixou-a na cela e retirou-se para os fundos, trancando-se a chave. E, deitando-se na terra dura e nua, dormiu, depois das longas preces costumeiras.
No dia seguinte, quando foi ver a hóspede, encontrou-a transformadíssima. Vestia-se rica e provocantemente, uma vez tirado o disfarce que usara. Rogando ao ermitão que se casasse com ela, empregou toda a sedução feminina.
Martiniano ficou atônito. Atônito e desconcertado. E, confuso, para esquivar-se, disse-lhe:
- A noite, dar-te-ei a resposta.
Passando todo o dia a orar, rogando a Deus que lhe desse forças e lhe inspirasse horror à mulher, da qual se agradara, por artimanhas do diabo, foi recompensado. Teve uma ideia, e pô-la em ação. Acendeu uma fogueira, sentou-se num banquinho e meteu os pés descalços no meio das chamas. Logo principiou a gritar de dor. Gritava, gritava, mas, heroicamente, não arredava os pés um centímetro.
Zoé, atraída pela bulha, correu a ver o que se passava. E, dando com a dolorosa cena, com olhos marejados d água, caiu de joelhos e pôs-se a bradar:
- Que fazes? Por que te queimas assim? Por minha causa?
- Sim, respondeu Martiniano, com os pés semi-queimados. Como poderei suportar o fogo do inferno, se mal aguento este? Se ceder aos teus desejos, que me não acontecerá com aquele fogo eterno e terrível?
A mulher, tocada no mais fundo do coração, converteu-se. E o santo ermitão, enviando-a a Belém, deixou-a no convento de Santa Paula, onde Zoé viveu em duras mortificações até o fim da vida.
Sete meses depois, Martiniano viu-se curado das feias queimaduras. O demônio, sempre e sempre, deste ou daquele modo, procurou perdê-lo. Em vão, porém, porque Deus, que o protegia, livrou-o dos laços e dos engodos todos. E, para Deus, foi ele mansamente, em 398, em Atenas.
ROHRBACHER, Padre. Vida dos santos: Volume III. São Paulo: Editora das Américas, 1959. Edição atualizada por Jannart Moutinho Ribeiro; sob a supervisão do Prof. A. Della Nina. Adaptações: Equipe Pocket Terço. Disponível em: obrascatolicas.com. Acesso em: 09 fev. 2022.
São Martiniano, rogai por nós!


