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4º Domingo da Quaresma

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Antífona de entrada

Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais! Cheios de júbilo, exultai de alegria, vós que estais tristes, e sereis saciados nas fontes da vossa consolação. (Cf. Is 66, 10-11)
Gradual Romano:
Laetare Ierusalem: et conventum facite omnes qui diligitis eam: gaudete cum laetitia, qui in tristitia fuistis: ut exsultetis, et satiemini ab uberibus consolationis vestrae. (Cf. Is. 66, 10. 11) Ps. Laetátus sum in his quae dicta sunt mihi: in domum Dómini íbimus. (Ps. 121)

Vernáculo:
Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais! Cheios de júbilo, exultai de alegria, vós que estais tristes, e sereis saciados nas fontes da vossa consolação.(Cf. MR: Is 66, 10. 11) Sl. Que alegria, quando ouvi que me disseram: Vamos à casa do Senhor! (Cf. LH: Sl 121, 1)

Coleta

Ó Deus, que por vossa Palavra realizais de modo admirável a reconciliação do gênero humano, concedei ao povo cristão correr ao encontro das festas que se aproximam, cheio de fervor e exultando de fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

Primeira Leitura — 1Sm 16, 1b. 6-7. 10-13a


Leitura do Primeiro Livro de Samuel


Naqueles dias, o Senhor disse a Samuel: 1bEnche o chifre de óleo e vem para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos. 6Assim que chegou, Samuel viu a Eliab e disse consigo “Certamente é este o ungido do Senhor!” 7Mas o Senhor disse-lhe: Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”.

10Jessé fez vir seus sete filhos à presença de Samuel, mas Samuel disse: “O Senhor não escolheu a nenhum deles”. 11E acrescentou: “Estão aqui todos os teus filhos?”

Jessé respondeu: Resta ainda o mais novo que está apascentando as ovelhas”. E Samuel ordenou a Jessé: “Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa enquanto ele não chegar”. 12Jessé mandou buscá-lo. Era Davi, ruivo, de belos olhos e de formosa aparência. E o Senhor disse: “Levanta-te, unge-o: é este!”

13aSamuel tomou o chifre com óleo e ungiu a Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia o espírito do Senhor se apoderou de Davi.

— Palavra do Senhor.

— Graças a Deus.


Salmo Responsorial — Sl 22(23), 1-3a. 3b-4. 5. 6 (R. 1)


℟. O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma.


— O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças. ℟.

— Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança! ℟.

— Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda. ℟.

— Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos. ℟.


https://youtu.be/GCx3KcAH-T0

Segunda Leitura — Ef 5, 8-14


Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios


Irmãos: 8Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz. 9E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade. 10Discerni o que agrada ao Senhor. 11Não vos associeis às obras das trevas, que não levam a nada; antes, desmascarai-as. 12O que essa gente faz em segredo, tem vergonha até de dizê-lo. 13Mas tudo que é condenável torna-se manifesto pela luz; e tudo o que é manifesto é luz. 14É por isso que se diz: “Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá”.

— Palavra do Senhor.

— Graças a Deus.


℟. Louvor e honra a vós, Senhor Jesus.
℣. Pois eu sou a luz do mundo, quem nos diz é o Senhor; e vai ter a luz da vida quem se faz meu seguidor! (Jo 8, 12) ℟.

Evangelho — Jo 9, 1. 6-9. 13-17. 34-38 – forma breve


℣. O Senhor esteja convosco.

℟. Ele está no meio de nós.


℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 

℟. Glória a vós, Senhor.


Naquele tempo, 1ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. 6E cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. 7E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé” (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando. 8Os vizinhos e os que costumavam ver o cego — pois ele era mendigo — diziam: “Não é aquele que ficava pedindo esmola?” 9Uns diziam: “Sim, é ele!” Outros afirmavam: “Não é ele, mas alguém parecido com ele”. Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo!”

13Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego. 14Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego. 15Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: “Colocou lama sobre meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!”

16Disseram, então, alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado”. Mas outros diziam: “Como pode um pecador fazer tais sinais?”

17E havia divergência entre eles. Perguntaram outra vez ao cego: “E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?” Respondeu: “É um profeta”.

34Os fariseus disseram-lhe: “Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?” E expulsaram-no da comunidade. 35Jesus soube que o tinham expulsado. Encontrando-o, perguntou-lhe: “Acreditas no Filho do Homem?” 36Respondeu ele: “Quem é, Senhor, para que eu creia nele?” 37Jesus disse: “Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo”. Exclamou ele: 38“Eu creio, Senhor!” E prostrou-se diante de Jesus.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.


Ou:


Evangelho — Jo 9, 1-41 – forma longa


℣. O Senhor esteja convosco.

℟. Ele está no meio de nós.


℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 

℟. Glória a vós, Senhor.


Naquele tempo: 1Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença.

2Os discípulos perguntaram a Jesus: “Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?”

3Jesus respondeu: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele.

4É necessário que nós realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Vem a noite, em que ninguém pode trabalhar.

5Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo.”

6Dito isto, Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego.

7E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé” (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando.

8Os vizinhos e os que costumavam ver o cego - pois ele era mendigo - diziam: “Não é aquele que ficava pedindo esmola?”

9Uns diziam: “Sim, é ele!” Outros afirmavam: “Não é ele, mas alguém parecido com ele.” Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo!”

10Então lhe perguntaram: “Como é que se abriram os teus olhos?”

11Ele respondeu: “Aquele homem chamado Jesus fez lama, colocou-a nos meus olhos e disse-me: ʽVai a Siloé e lava-teʼ. Então fui, lavei-me e comecei a ver.”

12Perguntaram-lhe: “Onde está ele?” Respondeu: “Não sei.”

13Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego.

14Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego.

15Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: “Colocou lama sobre meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!”

16Disseram, então, alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado.” Mas outros diziam: “Como pode um pecador fazer tais sinais?”

17E havia divergência entre eles. Perguntaram outra vez ao cego: “E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?” Respondeu: “É um profeta.”

18Então, os judeus não acreditaram que ele tinha sido cego e que tinha recuperado a vista. Chamaram os pais dele 19e perguntaram-lhes: “Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que ele agora está enxergando?”

20Os seus pais disseram: “Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego.

21Como agora está enxergando, isso não sabemos. E quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Interrogai-o, ele é maior de idade, ele pode falar por si mesmo.”

22Os seus pais disseram isso, porque tinham medo das autoridades judaicas. De fato, os judeus já tinham combinado expulsar da comunidade quem declarasse que Jesus era o Messias.

23Foi por isso que seus pais disseram: “É maior de idade. Interrogai-o a ele.”

24Então, os judeus chamaram de novo o homem que tinha sido cego. Disseram-lhe: “Dá glória a Deus! Nós sabemos que esse homem é um pecador.”

25Então ele respondeu: “Se ele é pecador, não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo.”

26Perguntaram-lhe então: “Que é que ele te fez? Como te abriu os olhos?”

27Respondeu ele: “Eu já vos disse, e não escutastes. Por que quereis ouvir de novo? Por acaso quereis tornar-vos discípulos dele?”

28Então insultaram-no, dizendo: “Tu, sim, és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés.

29Nós sabemos que Deus falou a Moisés, mas esse, não sabemos de onde é.”

30Respondeu-lhes o homem: “Espantoso! Vós não sabeis de onde ele é? No entanto, ele abriu-me os olhos!

31Sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aquele que é piedoso e que faz a sua vontade.

32Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.

33Se este homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada”.

34Os fariseus disseram-lhe: “Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?” E expulsaram-no da comunidade.

35Jesus soube que o tinham expulsado. Encontrando-o, perguntou-lhe: “Acreditas no Filho do Homem?”

36Respondeu ele: “Quem é, Senhor, para que eu creia nele?”

37Jesus disse: “Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo.” Exclamou ele:

38“Eu creio, Senhor”! E prostrou-se diante de Jesus.

39Então, Jesus disse: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos.”

40Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram: “Porventura, também nós somos cegos?”

41Respondeu-lhes Jesus: “Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: ʽNós vemosʼ, o vosso pecado permanece.'

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.


Creio

Creio em Deus Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
Às palavras seguintes, até Virgem Maria, todos se inclinam.
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria,
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu à mansão dos mortos,
ressuscitou ao terceiro dia,
subiu aos céus,
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja Católica,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne
e na vida eterna. Amém.

Antífona do Ofertório

Gradual Romano:
Laudáte Dóminum, quia benígnus est: psállite nómini eius, quóniam suávis est: ómnia quaecúmque vóluit, fecit in caelo et in terra. (Ps. 134, 3. 6)

Vernáculo:
Louvai o Senhor, porque é bom; cantai ao seu nome suave! Ele faz tudo quanto lhe agrada, nas alturas dos céus e na terra. (Cf. LH: Sl 134, 3. 6ab)

Sugestão de melodia

Sobre as Oferendas

Senhor, apresentamos com alegria estes dons, remédio de eterna salvação, pedindo suplicantes que os veneremos dignamente e os santifiqueis para a salvação do mundo. Por Cristo, nosso Senhor.



Antífona da Comunhão

O Senhor ungiu os meus olhos. Eu fui, lavei-me, comecei a ver e acreditei em Deus. (Cf. Jo 9, 11. 38)
Gradual Romano:
Lutum fecit ex sputo Dóminus, et linívit óculos meos: et ábii, et lavi, et vidi, et crédidi Deo. (Io. 9, 6. 11. 38; ℣. Ps. 26, 1a. 1b. 4abc. 4de. 5. 6ab. 6cd. 9ab. 9cd. 10. 13)

Vernáculo:
O Senhor ungiu os meus olhos. Eu fui, lavei-me, comecei a ver e acreditei em Deus. (Cf. MR: Jo 9, 11. 38)

Depois da Comunhão

Ó Deus, luz de todo ser humano que vem a este mundo, iluminai nossos corações com o esplendor da vossa graça, para pensarmos sempre o que vos agrada e amar-vos de todo o coração. Por Cristo, nosso Senhor.

Homilia do dia 15/03/2026


O cego de nascença


Ao mesmo tempo que é curado de sua deficiência, o cego do Evangelho deste domingo é iluminado com a fé em Cristo. Com isso, ele se vê livre também da cegueira espiritual dos fariseus, muitíssimo pior que a cegueira física.


Queridos irmãos e irmãs, celebramos o 4º Domingo da Quaresma. Escutamos neste domingo o Evangelho muito belo de São João que nos fala da cura de um cego de nascimento. Longo relato, no qual se sente e se percebe, como fundo, a luta entre a luz e as trevas. Como já havia dito o mesmo Evangelista ao relatar a Encarnação do Verbo: “Ele era a luz, e as trevas não o acolheram”. Com este relato Nosso Senhor se apresenta como luz; para o cego começa sendo “luz dos olhos”, sem a qual não caminhamos, más cambaleamos, nas trevas corporais; terminará sendo também para ele, “luz da alma”, a luz da fé.


Quando lemos este texto, nos enchemos de alegria: porque nele vemos como Deus confunde aos que se creem sábios, mas dá sua graça aos humildes. No texto os letrados, os sábios, os que o mundo elogia pela ciência e o saber, se enfrentam com um mendigo cego que, à porta do templo, pedia esmola. E, entretanto, este mendigo, com as simples palavras da verdade, confunde a perfídia, a malícia e a inveja dos fariseus, que, quando já ficam sem argumento, insultam e excomungam o mendigo da sinagoga.


“Vim”, diz Jesus mais adiante (Jo 9,39), “para um julgamento deste mundo: para que vejam os que não veem e fiquem cegos os que veem”. Os fariseus acreditavam ver e não viam o mais importante, não viam que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Para ver isso, Deus tinha escolhido a seu povo... e seu povo não o vira... Pior ainda, muitos dos que o viram o rejeitaram e combateram.


Mas as almas simples, como a deste pobre cego sem letras que para aqueles fariseus não passava de um pecador, e um maldito, porque não conhecia a Lei, mas que, no entanto, junto com a luz do dia e com as belezas da criação, ele viu a luz maior, que é a luz da fé; e por isso diz S. João Crisóstomo: “Prostrou-se adorando ao Senhor em plena rua e hoje o está contemplando com seus olhos no céu”. A este pobre cego; a esse que, no dizer de São Paulo, é o que o mundo considera lixo e escória, a esse o Senhor escolheu para confundir aos que creem ser algo. “Para que os que veem fiquem cegos...”, os que veem, quer dizer: os que acreditam que veem.


Belíssimo é o relato no qual o cego demonstra com valentia, saber mais do que sabiam aqueles letrados. "Espantoso! Vós não sabeis de onde ele é? No entanto, ele abriu-me os olhos!”, diz o cego. Isso é o espantoso: eles eram os doutores da lei, os sábios..., mas não sabiam interpretar corretamente o que tinha acontecido. O pobre cego, em troca, do que tinha acontecido deduzia: “É um Profeta”. E quando o queriam confundir os rebatia com um argumento irrefutável: “Eu só sei que antes não via e agora vejo”. “Contra facta non est argumentum” - Contra fatos não há argumentos. E nisto se ele mantém firme.


O milagre que aqui realiza Nosso Senhor é um grande milagre. Desses que a teologia chama substancial. A cura de um cego de nascimento é, de fato, como uma nova criação. Por isso o cego argumenta: “Nunca escutei que alguém devolva a vista a um cego de nascimento”. E como é o milagre maior, que escapa ao poder de toda a natureza, só quem está por cima da natureza o pode fazer. E esse é Deus. O cego não tinha estudado, mas era um bom teólogo e se dá conta que ali esteve a mão de Deus. E defenderá aferradamente esta verdade.


Jesus com um gesto misterioso que recorda a criação do primeiro homem (no qual Deus juntou o barro com o sopro de sua boca), porque aqui faz barro com um pouco de terra e a saliva de sua boca, havia devolvido a luz aos olhos corporais do cego.


Mas o itinerário para chegar à luz da alma devia passar por sua perseguição. Diante de sua cura os vizinhos e os que todos os dias passavam perto dele se surpreendem e dão testemunho de sua cura; as opiniões se dividem: é ele; é um gêmeo; é alguém que se parece... Ele, porém, dizia: “sou eu mesmo”. Quando a notícia se espalha, a perfídia dos fariseus vai aumentando, e o levam diante do tribunal para que diga o que aconteceu. O cego repete uma e outra vez os fatos: “esse homem chamado Jesus... etc.”. “E tu o que dizes dele?”, perguntavam-lhe. “Que é um profeta!”. Interrogam a seus pais, procurando derrubá-lo; tentando de que dissessem que Jesus fez algo contra a Lei. Até que recorrendo ao extremo o conjuram: “Dá glória a Deus. Nós sabemos que esse homem é pecador”. Dá glória Deus, quer dizer: confessa diante de Deus. Ele novamente defende Jesus com sua lógica; “Se for pecador não sei; só sei que eu estava cego e agora vejo”.


Então, para lhe demonstrar que é um pecador os fariseus lhe dizem, acreditando que assim o confundiriam: “Nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou com Moisés; mas este não sabemos de onde é”. E aqui o cego os confunde definitivamente: “Isso é assombroso, que vós (os doutores, os sábios) não sabeis de onde Ele vem, e, entretanto, Ele me abriu os olhos (ou seja, ele falou de onde Jesus vinha com esse fato). ELE me abriu os olhos, e Deus não escuta aos pecadores... Se não viesse de Deus, não poderia fazê-lo...”


Deus fala pelos simples. O cego, pobre e ignorante dá repostas de bom teólogo. Os fariseus humilhados, sem argumentos, insultam-no e o excomungam: "Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?". Eis aqui a luta entre a luz e as trevas.


Quando o Senhor soube que o tinham excomungado porque se portou corajosamente, foi ao seu encontro e se revelou totalmente: “Creio, senhor” – disse o cego; e lhe adorou. Jesus terminou dando-lhe a luz da fé. Notemos o itinerário espiritual que vai se produzindo no cego: 1° “esse homem chamado Jesus” (v.11); 2° “que é profeta” (V. 17); 3° “Se não for de Deus...” (v.33); 4° “Creio Senhor, e se prostrou diante dEle” (v.38).


O sofrimento e a sua paciência lhe levarão a suprema graça da fé. Por que Deus permite perseguições e tempestades a nossa alma? Aí temos a resposta.


Também temos aqui, querido irmãos, bem tipificadas as duas atitudes diante da luz, diante de Cristo-Luz: a que abre seus olhos a ela, e a que se fecha, a que rejeita, a que vive nas trevas.


A primeira é dócil ao que vê, ao que Cristo quer fazer nela: deixa-se abrir os olhos; embora nos abra os olhos a nossos pecados e enganos, e nos ensine o que espiritualmente somos: vazios, disformes, pecadores, pecadores, débeis, necessitados de conversão. Mas os dóceis se convertem e a fé os inunda, como o cego de nascença.


A segunda não se deixa iluminar; é aquele que vê e rejeita. Não se converte; acredita que não necessita de Deus. E termina longe de Deus, rejeitando esse Deus que tantas vezes lhe estendeu inutilmente os braços. São os que não aceitam ver os pecados; e consequentemente não querem se converter.


Neste Domingo vamos pedir ao Senhor que nos dê luz; que nos aproximemos da luz; que vejamos nossa miséria. A Páscoa está perto; a Festa da Redenção; que o Senhor nos dê o sentido do pecado; que nos dê a graça de ver e a força de ir correndo à piscina do Siloé, as águas da confissão e da penitência, onde o Senhor, com seu Sangue, lava os pecados do mundo. Assim seja.

Deus abençoe você!

Pe. Fábio Vanderlei, IVE

Nossa Missão
Evangelize com o Pocket Terço: pocketterco.com.br/ajude

Homilia Dominical | A cegueira dos pecados contra o Espírito Santo (4º Dom. da Quaresma - 15/03/26)

Neste 4º Domingo da Quaresma, também chamado de “Domingo Laetare” ou Domingo da Alegria, a Igreja proclama o Evangelho da cura do cego de nascença, diante da qual os fariseus reagem com incredulidade. E a resposta de Jesus aos fariseus revela que eles estavam tomados por uma cegueira espiritual própria de quem peca contra o Espírito Santo.Ouça a homilia dominical do Padre Paulo Ricardo e conheça os seis pecados contra o Espírito Santo, que nos fazem rejeitar o perdão e a misericórdia de Deus.


https://youtu.be/Su8sObhBjEI

Santo do dia 15/03/2026

Santa Luísa de Marillac (Memória Facultativa)
Local: Paris, França
Data: 15 de Março † 1660


O encontro de Luísa de Marillac com Vicente de Paulo, no fim de 1624, determinou uma trajetória diferente no exercício da caridade e na vida religiosa. São Vicente dizia às Filhas da Caridade: “Vocês têm por mosteiro a casa dos enfermos, por cela um quarto alugado, por capela a igreja paroquial, por claustro as ruas da cidade, por clausura a obediência, por grade o temor de Deus, por véu a santa modéstia”. Aí está o perfil de santa Luísa, cofundadora das Filhas da Caridade. São Vicente dizia: “Só Deus sabe a força de alma que ela possui”.

Filha de Luís de Marillac, senhor de Ferrières e conselheiro do Parlamento, teve infância tranquila. Morrendo o pai, ela com 14 anos, foi tirada do colégio e entregue a uma senhorita para que esta completasse a sua educação. Essa jovem, talvez sua mãe, encaminhou-a ao trabalho. Então Luísa conheceu sua origem e sofreu muito. Queria ingressar na vida religiosa, mas os parentes decidiram diversamente. Teve de se casar com o secretário de Maria de Médici. Teve um filho, Miguel. A longa enfermidade do marido e as inúmeras dificuldades financeiras que sobrevieram abalou a harmonia do casal. Estiveram a ponto de separar-se.

Os frequentes contatos com são Francisco de Sales, começados em Paris em 1618, ajudaram-na a superar este período. Depois são Vicente de Paulo associou-a à fundação das Filhas da Caridade. Em 1625 morreu o marido e o filho Miguel entrou no seminário. Luísa pôde receber as primeiras jovens que formaram o primeiro núcleo das Damas da Caridade.

Morreu no dia 15 de março de 1660, poucos meses antes de são Vicente de Paulo, de quem aprendeu o espírito de simplicidade na vida interior e o amor prático. Segundo o santo fundador a santidade é tanto mais autêntica quanto mais escondida. Foi canonizada somente em 1934. João XXIII a declarava a patrona das Assistentes Sociais.

Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Santa Luísa de Marillac, rogai por nós!


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