Antífona de Entrada:
Pelo amor de Cristo, o sangue dos mártires foi derramado na terra. Por isso sua recompensa é eterna. (há outras opções cf. missal)

Oração do Dia:
Deus de misericórdia, aumentai em nós a fé que, conservada à custa do próprio sangue, glorificou vossos mártires Santo André, Santo Ambrósio e companheiros. Dai-nos também ser santificados pela vivência da mesma fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (há outras opções cf. missal)


Primeira Leitura (Jó 42, 1-3. 5-6. 12-16)


Leitura do Livro de Jó


1Jó respondeu ao Senhor, dizendo: 2“Reconheço que podes tudo e que para ti nenhum pensamento é oculto. — 3Quem é esse que ofusca a Providência, sem nada entender? — Falei, pois, de coisas que não entendia, de maravilhas que ultrapassam a minha compreensão. 5Conhecia o Senhor apenas por ouvir falar, mas, agora, eu o vejo com meus olhos. 6Por isso me retrato e faço penitência no pó e na cinza”.

12O Senhor abençoou a Jó no fim de sua vida mais do que no princípio; ele possuía agora catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas.

13Teve outros sete filhos e três filhas: 14a primeira chamava-se “Rola”, a segunda “Cássia”, e a terceira “Azeviche”. 15Não havia em toda a terra mulheres mais belas que as filhas de Jó. Seu pai lhes destinou uma parte da herança, entre os seus irmãos. 16Depois desses acontecimentos, Jó viveu cento e quarenta anos, e viu seus filhos e os filhos de seus filhos até a quarta geração. E Jó morreu velho e repleto de anos.


— Palavra do Senhor.

— Graças a Deus.


Salmo Responsorial (Sl 118)


R. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.


— Dai-me bom senso, retidão, sabedoria, pois tenho fé nos vossos santos mandamentos! R.

— Para mim foi muito bom ser humilhado, porque assim eu aprendi vossa vontade! R.

— Sei que os vossos julgamentos são corretos, e com justiça me provastes, ó Senhor! R.

— Porque mandastes, tudo existe até agora; todas as coisas, ó Senhor, vos obedecem! R.

— Sou vosso servo: concedei-me inteligência, para que eu possa compreender vossa Aliança! R.

— Vossa palavra, ao revelar-se, me ilumina, ela dá sabedoria aos pequeninos. R.

 


R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois, revelaste os mistérios do Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Cf. Mt 11-25) R.


Evangelho (Lc 10, 17-24)


V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.


V. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo  segundo Lucas 

R. Glória a vós, Senhor.


V. Naquele tempo: 17Os setenta e dois voltaram muito contentes, dizendo: 'Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome.' 18Jesus respondeu: 'Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. 19Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. 20Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu.'

21Naquele momento, Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.

23Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que veem o que vós vedes! 24Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir”.


— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.


Homilia: Contemplemos a presença de Deus no meio de nós

“Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: ‘Felizes os olhos que veem o que vós vedes! Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir’” (Lucas 10,23-24).

Se Jesus declarou que os Seus discípulos eram felizes, e Ele está nos declarando que temos a felicidade de ver o que vemos e de ouvir o que ouvimos, é uma pena não abrirmos os olhos para enxergar essa presença de Deus no meio de nós.

Muitos, na época de Jesus, tendo-O entre eles, fecharam-se para a graça, não abriram os olhos para a fé, por isso, não podemos permanecer com os olhos fechados e vedados como cegos. Porque, às vezes, estamos naquela de só enxergarmos problemas, só enxergarmos escuridão, dificuldades, só enxergarmos as crises, os defeitos das pessoas. Os olhos são a luz do corpo e da vida, aquilo que entra pelos olhos nos ilumina ou nos deixa na escuridão da vida, por isso, precisamos ser cada vez mais pessoas contemplativas.

A arte da contemplação é a graça de ver com o coração e com o olhar da fé a presença amorosa de Deus no meio de nós. Contemplemos com os olhos da fé, mesmo em meio às provações, tentações e dificuldades. Nós podemos, devemos e precisamos buscar enxergar que Deus está no meio de nós.


É importante sair de todas as ansiedades da vida para contemplar a presença de Deus no meio de nós

Tem gente que não vê as soluções para os problemas porque só enxerga os problemas. Tem gente que não vê a graça de Deus agindo porque não olha com o olhar da fé; fica na ilusão, na escuridão, para na tempestade, na dificuldade, se entrega à temeridade e não se abre para a verdade.

Olhemos para o Senhor. Como é importante parar, sair da ansiedade, do barulho, das contrariedades, das dificuldades e dessas ansiedades todas da vida para contemplar a presença de Deus no meio de nós.

Contemple Jesus presente no Sacrário, no Sacramento da Eucaristia; contemple a presença de Jesus na Palavra, contemple a presença de Jesus crucificado em cada crucifixo que temos em nossas Igrejas, em nossas casas, contemple a presença de Jesus no silêncio, contemple Jesus nas montanhas e na natureza.

A medida em que você se abre para contemplar, para adorar e para se voltar inteiramente a Deus, Ele vai nos purificando, vai purificando o olhar, os ouvidos e vamos poder dizer: “Deus está realmente trazendo a mim a Sua Palavra”.  

Muitas vezes, não escutamos Deus nos falar, não escutamos Ele nos nos dirigir, não escutamos as moções de Deus acontecendo. Abramos os nossos olhos para a contemplação porque seremos felizes em ver Deus no meio de nós, felizes em ouvir a Sua Palavra viva no meio de nós.

Deus abençoe você!

Pe. Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.
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Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu

Celebramos hoje os primeiros mártires do Brasil: os santos André de Soveral, Ambrósio Ferro e seus 30 companheiros, terrivelmente massacrados no século XVII nas mãos de calvinistas holandeses por se recusarem a abjurar da fé católica na Santíssima Eucaristia e renegar a única Igreja em que se preservam, incorruptos, a sucessão apostólica e os sacramentos que o Filho de Deus instituiu para a nossa santificação. Assista à homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, dia 3 de outubro, e peçamos a estes santos heróis da fé que, por sua intercessão, nos deem a graça de sermos católicos firmes e convictos, dispostos a dar a própria vida em testemunho da verdade da Santa Igreja Romana.





Santo do Dia:

Protomártires do Brasil

Dentro da conturbada invasão dos holandeses no nordeste do Brasil, encontram-se os dois martírios coletivos: o de Cunhaú e o de Uruaçu. Estes martírios aconteceram no ano de 1645, sendo que o Pe. André de Soveral e Domingos de Carvalho foram mártires em Cunhaú e o Pe. Ambrósio Francisco Ferro e Mateus Moreira em Uruaçu; dentre outros.

No Engenho de Cunhaú, principal pólo econômico da Capitania do Rio Grande (atual estado do Rio Grande do Norte), existia uma pequena e fervorosa comunidade composta por 70 pessoas sob os cuidados do Pe. André de Soveral. No dia 15 de julho chegou em Cunhaú Jacó Rabe, trazendo consigo seus liderados, os ferozes tapuias, e, além deles, alguns potiguares com o chefe Jerera e soldados holandeses. Jacó Rabe era conhecido por seus saques e desmandos, feitos com a conivência dos holandeses, deixando um rastro de destruição por onde passava.

Dizendo-se em missão oficial pelo Supremo Conselho Holandês do Recife, convoca a população para ouvir as ordens do Conselho após a missa dominical no dia seguinte. Durante a Santa Missa, após a elevação da hóstia e do cálice, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da igreja e se deu início à terrível carnificina: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelos flamengos com a ajuda dos tapuias e dos potiguares.

A notícia do massacre de Cunhaú espalhou-se por todo o Rio Grande e capitanias vizinhas, mesmo suspeitando dessa conivência do governo holandês, alguns moradores influentes pediram asilo ao comandante da Fortaleza dos Reis Magos. Assim, foram recebidos como hóspedes o vigário Pe. Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela, o Moço, Francisco de Bastos, Diogo Pereira e José do Porto. Os outros moradores, a grande maioria, não podendo ficar no Forte, assumiram a sua própria defesa, construindo uma fortificação na pequena cidade de Potengi, a 25 km de Fortaleza.

Enquanto isso, Jacó Rabe prosseguia com seus crimes. Após passar por várias localidades do Rio Grande e da Paraíba, Rabe foi então à Potengi, e encontrou heróica resistência armada dos fortificados. Como sabiam que ele mandara matar os inocentes de Cunhaú, resistiram o mais que puderam, por 16 dias, até que chegaram duas peças de artilharia vindas da Fortaleza dos Reis Magos. Não tinham como enfrentá-las. Depuseram as armas e entregaram-se nas mãos de Deus.

Cinco reféns foram levados à Fortaleza: Estêvão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira e Simão Correia. Desse modo, os moradores do Rio Grande ficaram em dois grupos: 12 na Fortaleza e o restante sob custódia em Potengi.

Dia 2 de outubro chegaram ordens de Recife mandando matar todos os moradores, o que foi feito no dia seguinte, 3 de outubro. Os holandeses decidiram eliminar primeiro os 12 da Fortaleza, por serem pessoas influentes, servindo de exemplo: o vigário, um escabino, um rico proprietário.

Foram embarcados e levados rio acima para o porto de Uruaçu. Lá os esperava o chefe indígena potiguar Antônio Paraopaba e um pelotão armado de duzentos índios seus comandados. Repetiram-se então as piores atrocidades e barbáries, que os próprios cronistas da época sentiam pejo em contá-las, porque atentavam às leis da moral e modéstia.

Um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração das costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento".

A 5 de março de 2000, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa João Paulo II beatificou os 30 protomártires brasileiros, sendo 2 sacerdotes e 28 leigos beatificados.

Protomártires do Brasil, rogai por nós!

 


Oração sobre as Oferendas:
Ó Deus, aceitai com bondade estas oferendas e concedei-nos imitar os Santos André, Ambrósio e companheiros, participando com amor do mistério da paixão do vosso Filho. Que vive e reina para sempre. (há outras opções cf. missal)

Antífona de Comunhão:
Nem a morte, nem a vida, nem criatura alguma nos poderá separar do amor de Cristo. (Rm 8, 38-39) (há outras opções cf. missal)

Oração depois da Comunhão:
Na festa dos vossos Santos mártires André, Ambrósio e companheiros, fomos alimentados, ó Pai, com o Corpo e o Sangue do vosso Filho. Fazei que, perseverando na caridade, encontremos em vós o sustento da nossa vida, a razão da nossa existência e o destino da nossa caminhada. Por Cristo, nosso Senhor.