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3º Domingo da Quaresma

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Antífona de entrada

Tenho os olhos sempre fitos no Senhor, pois ele tira os meus pés das armadilhas. Voltai-vos para mim, tende piedade, porque sou pobre, estou sozinho e infeliz! (Cf. Sl 24, 15-16)

Ou:


Quando, por meio de vós, mostrar minha santidade, eu vos tomarei dentre as nações. Haverei de derramar sobre vós uma água pura, e de vossas imundices sereis purificados; dar-vos-ei um novo espírito e um novo coração, diz o Senhor. (Cf. Ez 36, 23-26)
Gradual Romano:
Oculi mei semper ad Dóminum, quia ipse evéllet de láqueo pedes meos: réspice in me, et miserére mei, quóniam únicus et pauper sum ego. Ps. Ad te Dómine levávi ánimam meam: Deus meus, in te confído, non erubéscam. (Ps. 24, 15. 16 et 1-2)

Vel:


Dum sanctificátus fúero in vobis, congregábo vos de univérsis terris: et effúndam super vos aquam mundam, et mundabímini ab ómnibus inquinaméntis vestris: et dabo vobis spíritum novum. Ps. Benedícam Dóminum in omni tempóre: semper laus eius in ore meo. (Ezech. 36, 23. 24. 25. 26; Ps. 33)

Vernáculo:
Tenho os olhos sempre fitos no Senhor, pois ele tira os meus pés das armadilhas. Voltai-vos para mim, tende piedade, porque sou pobre, estou sozinho e infeliz! (Cf. MR: Sl 24, 15. 16) Sl. Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma, em vós confio: que eu não seja envergonhado. (Cf. LH: Sl 24, 1-2a)

Ou:


Quando, por meio de vós, mostrar minha santidade, eu vos tomarei dentre as nações. Haverei de derramar sobre vós uma água pura, e de vossas imundices sereis purificados; dar-vos-ei um novo espírito e um novo coração, diz o Senhor. (Cf. MR: Ez 36, 23-26) Sl. Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. (Cf. LH: Sl 33, 2)

Coleta

Ó Deus, autor de toda misericórdia e bondade, que indicastes o jejum, a oração e a esmola como remédio contra o pecado, acolhei benigno esta confissão da nossa humildade, para que, reconhecendo as nossas faltas, sejamos sempre regenerados pela vossa misericórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

Primeira Leitura — Ex 17, 3-7


Leitura do Livro do Êxodo


Naqueles dias, 3o povo, sedento de água, murmurava contra Moisés e dizia: “Por que nos fizeste sair do Egito? Foi para nos fazer morrer de sede, a nós, nossos filhos e nosso gado?”

4Moisés clamou ao Senhor, dizendo: “Que farei por este povo? Por pouco não me apedrejam!”

5O Senhor disse a Moisés: “Passa adiante do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma a tua vara com que feriste o rio Nilo e vai. 6Eu estarei lá, diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Ferirás a pedra e dela sairá água para o povo beber”. Moisés assim fez na presença dos anciãos de Israel. 7E deu àquele lugar o nome de Massa e Meriba, por causa da disputa dos filhos de Israel e porque tentaram o Senhor, dizendo: “O Senhor está no meio de nós ou não?”

— Palavra do Senhor.

— Graças a Deus.


Salmo Responsorial — Sl 94(95), 1-2. 6-7. 8-9 (R. 8)


℟. Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!


— Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos o Rochedo que nos salva! Ao seu encontro caminhemos com louvores, e com cantos de alegria o celebremos! ℟.

— Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor, e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão. ℟.

— Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: “Não fecheis os corações como em Meriba, como em Massa, no deserto, aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras”. ℟.


https://youtu.be/9vCub0eDjaA

Segunda Leitura — Rm 5, 1-2. 5-8


Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos


Irmãos: 1Justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo. 2Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus.

5E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

6Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado. 7Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa talvez alguém se anime a morrer. 8Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.

— Palavra do Senhor.

— Graças a Deus.


℟. Glória e louvor a vós, ó Cristo.
℣. Na verdade, sois, Senhor, o Salvador do mundo. Senhor, dai-me água viva a fim de eu não ter sede! (cf. Jo 4, 42. 15) ℟.

Evangelho — Jo 4, 5-15. 19b-26. 39a. 40-42 – forma breve


℣. O Senhor esteja convosco.

℟. Ele está no meio de nós.


℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 

℟. Glória a vós, Senhor.


Naquele tempo, 5Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta do meio-dia. 7Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”.

8Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com os samaritanos.

10Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”. 11A mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar a água viva? 12Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?”

13Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 14Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”.

15A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”. 19b“Senhor, vejo que és um profeta! 20Os nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”.

21Disse-lhe Jesus: “Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus.

23Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. 24Deus é espírito, e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”. 25A mulher disse a Jesus: “Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas”.

26Disse-lhe Jesus: “Sou eu, que estou falando contigo”.

39aMuitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus. 40Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. 41E muitos outros creram por causa da sua palavra. 42E disseram à mulher: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o salvador do mundo”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.


Ou:


Evangelho — Jo 4, 5-42 – forma longa


℣. O Senhor esteja convosco.

℟. Ele está no meio de nós.


℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 

℟. Glória a vós, Senhor.


Naquele tempo, 5Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta do meio-dia. 7Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”.8Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com os samaritanos. 10Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”. 11A mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar a água viva? 12Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?” 13Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 14Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. 15A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”. 16Disse-lhe Jesus: ʽVai chamar teu marido e volta aquiʼ. 17A mulher respondeu: ʽEu não tenho marido”. Jesus disse: “Disseste bem, que não tens marido, 18pois tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é o teu marido. Nisso falaste a verdade.” 19A mulher disse a Jesus: “Senhor, vejo que és um profeta! 20Os nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”.

21Disse-lhe Jesus: “Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus.

23Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. 24Deus é espírito, e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”. 25A mulher disse a Jesus: “Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas”. 26Disse-lhe Jesus: “Sou eu, que estou falando contigo”.

27Nesse momento, chegaram os discípulos e ficaram admirados de ver Jesus falando com a mulher. Mas ninguém perguntou: “Que desejas?” ou: “Por que falas com ela?” 28Então a mulher deixou o seu cântaro e foi à cidade, dizendo ao povo: 29“Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Será que ele não é o Cristo?” 30O povo saiu da cidade e foi ao encontro de Jesus. 31Enquanto isso, os discípulos insistiamcom Jesus, dizendo: “Mestre, come”. 32Jesus, porém disse-lhes: “Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis”. 33Os discípulos comentavam entre si: “Será que alguém trouxe alguma coisa para ele comer?” 34Disse-lhes Jesus: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. 35Não dizeis vós: ʽAinda quatro meses, e aí vem a colheita!ʼ Pois eu vos digo: Levantai os olhos e vede os campos: eles estão dourados para a colheita! 36O ceifeiro já está recebendo o salário, e recolhe fruto para a vida eterna. Assim, o que semeia se alegra junto com o que colheʼ. 37Pois é verdade o provérbio que diz: ʽUm é o que semeia e outro o que colheʼ. 38Eu vos enviei para colher aquilo que não trabalhastes.Outros trabalharam e vós entrastes no trabalho deles.”

39Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus, por causa da palavra da mulher que testemunhava: “Ele me disse tudo o que eu fiz.” 40Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. 41E muitos outros creram por causa da sua palavra. 42E disseram à mulher: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o salvador do mundo”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.


Creio

Creio em Deus Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
Às palavras seguintes, até Virgem Maria, todos se inclinam.
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria,
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu à mansão dos mortos,
ressuscitou ao terceiro dia,
subiu aos céus,
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja Católica,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne
e na vida eterna. Amém.

Antífona do Ofertório

Gradual Romano:
Iustítiae Dómini rectae, laetificántes corda, et dulcióra super mel et favum: nam et servus tuus custódiet ea. (Ps. 18, 9. 11. 12)

Vernáculo:
Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos. E vosso servo, instruído por elas, se empenha em guardá-las. (Cf. LH: Sl 18, 9a. 11b. 12a)

Sugestão de melodia 

Sobre as Oferendas

Senhor de bondade, concedei-nos por este sacrifício que, pedindo perdão de nossos pecados, saibamos perdoar os nossos irmãos. Por Cristo, nosso Senhor.



Antífona da Comunhão

Daquele que beber da água que eu darei, diz o Senhor, brotará uma fonte que jorra para a vida eterna. (Cf. Jo 4, 14)
Gradual Romano:
Qui biberit aquam, quam ego do, dicit Dominus Samaritanae, fiet in eo fons aquae salientis in vitam aeternam. (Io. 4, 13. 14; ℣. Cant. Isaiae 12, 1. 2ab. 2cd. 3. 4ab. 4cd. 5. 6)

Vernáculo:
Daquele que beber da água que eu darei, diz o Senhor, brotará uma fonte que jorra para a vida eterna. (Cf. MR: Jo 4, 13)

Depois da Comunhão

Senhor, tendo recebido o penhor do mistério celeste, e já saciados na terra com o pão do céu, nós vos pedimos humildemente que se manifeste em nossa vida o que o sacramento realizou em nós. Por Cristo, nosso Senhor.

Homilia do dia 08/03/2026


Adorar em espírito e verdade


“Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura.” (Jo 4, 21-23)


No Evangelho deste domingo, contemplamos Jesus que, cansado de uma longa viagem, senta-se junto a um poço – o poço de Jacó – perto da cidade de Sicar, não muito longe da antiga cidade de Samaria.


Uma mulher vem buscar água, e Jesus lhe diz: "Dá-me de beber". Parece algo banal. Na realidade, Jesus está dando um passo muito importante e, ao mesmo tempo, delicado. Essa mulher é samaritana, e os judeus não tinham boas relações com os samaritanos. Na Bíblia, os samaritanos eram desprezados. Nem sequer eram um povo, mas uma mistura de povos, e que não possuiam uma religião pura. Portanto, não há relações entre judeus e samaritanos. Mas Jesus estabelece uma relação com essa mulher samaritana da maneira mais delicada possível, apresentando-se como alguém necessitado.


Para estabelecer um diálogo com alguém, sem qualquer atitude de orgulho ou superioridade, você precisa fazer exatamente isso: apresentar-se como alguém que precisa da ajuda de outra pessoa.


Jesus diz à mulher samaritana: "Da-me de beber". Nessa expressão, podemos admirar seu coração manso e humilde. Ele estabelece um diálogo com uma mulher, e esse já é um primeiro ponto que poderia despertar admiração; e não apenas com uma mulher, mas com uma mulher samaritana e, além disso — como ficará claro mais adiante —, com uma mulher cuja conduta era tudo menos exemplar.


Assim, Jesus demonstra extrema gentileza; dessa forma, ele elimina uma barreira e estabelece um diálogo, promovendo a comunhão onde havia separação.


A mulher samaritana, naturalmente surpresa com o pedido, diz-lhe: "Como é que tu, sendo judeu, pedes água a mim, uma samaritana?"


Então Jesus — com o diálogo já estabelecido — continua: "Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: 'Dá-me de beber`, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva". Aqui Jesus começa a revelar sua profunda intenção: ele se tornou um mendigo, mas na realidade tinha um intenso desejo de dar, de comunicar o dom divino. Mas para comunicar esse dom, era preciso estabelecer um diálogo, o que Jesus fez com tanta humildade e mansidão.


A mulher obviamente não compreende essas palavras simbólicas de Jesus e lhe diz: "Senhor, o poço é fundo e o senhor não tem com que tirar água. De onde, então, o senhor vai conseguir essa água viva?"


Jesus, então, esclarece: "Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna". Aqui vemos claramente que Jesus não está falando de água comum, material, mas de um dom muito mais importante, um dom capaz de satisfazer os anseios mais profundos da alma humana. Esse dom pode satisfazê-los não apenas passivamente, mas também ativamente: essa água, de fato, torna-se na pessoa que a recebe uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.


A mulher não entendeu e perguntou: "Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la". Mas Jesus lhe disse: "Vai chamar teu marido e volta aqui". Este é o ponto crucial do encontro.


A mulher respondeu: "Eu não tenho marido". Nesse momento, Jesus poderia ter interrompido a conversa com a mulher; em vez disso, ele lhe falou como um profeta que penetra os segredos dos corações: “Disseste bem, que não tens marido, pois tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é o teu marido. Nisso falaste a verdade".


Agora é a mulher quem pode interromper a conversa, sentindo-se ofendida. Ela pode se recusar a falar mais com esse homem que tem a audácia de revelar sua vida privada. Em vez disso, ela aceita a luz lançada sobre sua vida e diz: "Senhor, vejo que és um profeta".


Essas palavras são como uma confissão. A mulher admite que o que Jesus disse é verdade: ela é uma mulher que teve cinco maridos e vive em concubinato com o sexto. Agora ela confessa esse seu estado altamente questionável.


Ela também expressa sua profunda inquietação religiosa, que está na raiz de seu comportamento equivocado. Sua situação conjugal irregular, essa instabilidade, decorre de uma insatisfação religiosa. A mulher diz: "Nossos pais adoravam a Deus neste monte [Monte Gerizim, perto do poço de Jacó], e os judeus dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar".


A situação religiosa dessa mulher é confusa: como encontrar Deus quando há discordância sobre onde se deve adorar? E se não se pode encontrar Deus com certeza, como se pode ter segurança e decisão na vida pessoal?


Jesus então lhe faz uma revelação: "Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai." É uma revelação de extraordinária novidade, pois Jesus não se contenta em eliminar o Monte Gerizim como local de adoração a Deus, mas também elimina Jerusalém. Esta é uma novidade sem precedentes.


Ele então especifica: "Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade." Jesus fala aqui de um relacionamento profundo com Deus, que não depende de localização ou templo, mas pode ser estabelecido a qualquer tempo e em qualquer lugar. Este relacionamento profundo com Deus se baseia em duas realidades: espírito e verdade.


Jesus declara no Evangelho: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14,6). É ele quem torna possível essa adoração a Deus em espírito e em verdade, porque, por meio de sua paixão, ele comunicará o Espírito e revelará plenamente a verdade divina, que se resume em uma única frase: "Deus é amor". Aqui, a mulher recebe de Jesus uma revelação que ele nem mesmo havia dado aos seus discípulos.


A mulher então diz a Jesus: "Eu sei que o Messias (isto é, Cristo) está para vir; quando ele vier, nos contará tudo." Essas palavras da mulher dão a Jesus a oportunidade de revelar sua identidade: " Sou eu, que estou falando contigo".


Esse encontro entre Jesus e a mulher samaritana é uma cena verdadeiramente sublime, uma revelação profunda sobre a qual podemos refletir longamente.


A história continua. Quando os discípulos retornam, Jesus explica-lhes por que se comportou de maneira tão surpreendente. Quando lhe oferecem algo para comer, ele diz: "Tenho um alimento para comer que vocês não conhecem". E explica: "O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e concluir a sua obra".


Para Jesus, o essencial é ser dócil à vontade do Pai. Se Jesus estabeleceu um diálogo com essa mulher samaritana cujo comportamento era questionável, foi porque compreendeu que essa era a vontade do Pai, que o Pai desejava esse relacionamento, essa conversão e essa revelação.


Na realidade, para promover conversões, Jesus não se contentaria com uma conversa ou algumas explicações.


Irmão e irmãs, elevando o nosso pensamento, rezemos:


Senhor, assim como a samaritana, eu me aproximo de Ti com os meus cansaços e as minhas sedes que o mundo não consegue saciar. Reconheço que, muitas vezes, busco água em poços rasos, mas hoje te peço: dá-me dessa Água Viva.


Não permitas que eu me perca em ritos vazios ou lugares distantes, mas ensina-me a Te adorar em espírito e verdade, pois sei que és Tu quem me procuras primeiro. Revela-te ao meu coração, cura as minhas feridas e faz de mim uma fonte que jorra para a vida eterna.


Fica comigo, Senhor, para que eu Te conheça não apenas pelo que dizem, mas por experiência própria, pois creio que Tu és o Salvador do mundo. Amém.

Deus abençoe você!

Pe. Fábio Vanderlei, IVE

Nossa Missão
Evangelize com o Pocket Terço: pocketterco.com.br/ajude

Homilia Dominical | O verdadeiro Esposo de nossa alma (3º Domingo da Quaresma (A) - 08/03/2026)

O Evangelho deste 3º Domingo da Quaresma narra o encontro de Cristo com uma mulher da Samaria, à beira de um poço, sob o sol do meio-dia. O diálogo entre os dois descreve o itinerário de conversão pelo qual todos devemos passar, até nos unirmos definitivamente, a exemplo daquela mulher, ao “sétimo Esposo”, o único que pode saciar plenamente a nossa sede de água viva.Ouça a homilia dominical do Padre Paulo Ricardo e medite sobre esta belíssima passagem do Evangelho de São João.


https://youtu.be/qsx8jSAOMc0

Santo do dia 08/03/2026

São João de Deus (Memória Facultativa)
Local: Granada, Espanha
Data: 08 de Março † 1550


Estamos diante de um santo com características singulares. João de Deus nasceu em Portugal em 1495 e morreu em Granada, na Espanha, no ano de 1550. Foi sucessivamente camponês, militar e comerciante. Fugindo de casa ainda menino, foi para a Espanha, onde aprendeu a cuidar de rebanhos e tornou-se administrador da propriedade do benfeitor. Alistou-se, a seguir, como soldado nas tropas do imperador Carlos V, mas foi expulso sob acusação de cumplicidade com ladrões de espólios de guerra.

Depois de várias outras peripécias, fixou-se em Granada, abrindo um pequeno negócio de livros. Ouvindo a pregação de São João de Ávila, foi tocado profundamente pela graça. Acabou encontrando sua verdadeira vocação e missão de benfeitor dos pobres e doentes. Com uma pequena herança deixada por um sacerdote, alugou uma casa em Granada para acolher indigentes. Daí por diante, as suas andanças visavam apenas a conseguir meios materiais para sustentar sua obra apostólica. Colocava toda a sua confiança na Providência Divina. Para conseguir ajuda para o hospital por ele fundado, ele passava pelas ruas e dizia: "Fazei o bem, irmãos".

Nem João nem seus auxiliares pensavam em constituir uma Congregação religiosa, mas depois de sua morte nasceu a Ordem dos Hospitaleiros de São João de Deus. Um século depois de sua fundação, a Ordem já contava com 80 hospitais. Hoje se acha espalhada em todo o mundo. Canonizado em 1690, João de Deus foi declarado patrono dos hospitais por Leão XIII.

O que podemos realçar na vida desse santo? Primeiramente, que cada pessoa tem a sua hora da graça. João de Deus atendeu ao chamado aos 40 anos de idade. Importa realmente responder ao chamado para o trabalho na vinha do Senhor. O outro aspecto é sua total dedicação aos pobres e enfermos, uma das obras de misericórdia do Evangelho.

A Oração coleta caracteriza-o pelo coração cheio de misericórdia que continua a convidar a todos para a prática das boas obras de caridade. Assim poderemos ser encontrados entre os escolhidos quando chegar o reino de Deus.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São João de Deus, rogai por nós!


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