4º Domingo do Tempo Comum
Antífona de entrada
Laetétur cor quaeréntium Dóminum: quaérite Dóminum, et confirmámini: quaérite fáciem eius semper. Ps. Confitémini Dómino, et invocáte nomen eius: annuntiáte inter gentes ópera eius. (Ps. 104, 3. 4 et 1)
Vernáculo:
Gloriai-vos em seu nome que é santo, exulte o coração que busca a Deus! Procurai o Senhor Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face! Sl. Dai graças ao Senhor, gritai seu nome, anunciai entre as nações seus grandes feitos! (Cf. LH: Sl 104, 3. 4 e 1)
Glória
Glória a Deus nas alturas,
e paz na terra aos homens por Ele amados.
Senhor Deus, rei dos céus,
Deus Pai todo-poderoso.
Nós vos louvamos,
nós vos bendizemos,
nós vos adoramos,
nós vos glorificamos,
nós vos damos graças
por vossa imensa glória.
Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito,
Senhor Deus, Cordeiro de Deus,
Filho de Deus Pai.
Vós que tirais o pecado do mundo,
tende piedade de nós.
Vós que tirais o pecado do mundo,
acolhei a nossa súplica.
Vós que estais à direita do Pai,
tende piedade de nós.
Só Vós sois o Santo,
só vós, o Senhor,
só vós, o Altíssimo,
Jesus Cristo,
com o Espírito Santo,
na glória de Deus Pai.
Amém.
Coleta
Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de coração sincero e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Sf 2, 3; 3, 12-13
Leitura da Profecia de Sofonias
Buscai o Senhor, humildes da terra, que pondes em prática seus preceitos; praticai a justiça, procurai a humildade; achareis talvez um refúgio no dia da cólera do Senhor.
3, 12E deixarei entre vós um punhado de homens humildes e pobres. E no nome do Senhor porá sua esperança o resto de Israel.
13Eles não cometerão iniquidades nem falarão mentiras; não se encontrará em sua boca uma língua enganadora; serão apascentados e repousarão, e ninguém os molestará.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 145(146), 7. 8-9a. 9bc-10 (R. Mt 5, 3)
℟. Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
— O Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos. ℟.
— O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor faz erguer-se o caído; o Senhor ama aquele que é justo. É o Senhor quem protege o estrangeiro. ℟.
— Ele ampara a viúva e o órfão, mas confunde os caminhos dos maus. O Senhor reinará para sempre! Ó Sião, o teu Deus reinará para sempre e por todos os séculos! ℟.
Segunda Leitura — 1Cor 1, 26-31
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios
Considerai vós mesmos, irmãos, como fostes chamados por Deus. Pois entre vós não há muitos sábios de sabedoria humana nem muitos poderosos nem muitos nobres.
27Na verdade, Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir os sábios; Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte; 28Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante, 29para que ninguém possa gloriar-se diante dele.
30É graças a ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós, da parte de Deus: sabedoria, justiça, santificação e libertação, 31para que, como está escrito, “quem se gloria, glorie-se no Senhor”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
℣. Meus discípulos, alegrai-vos, exultai de alegria, pois bem grande é a recompensa que nos céus tereis um dia! (Mt 5, 12a) ℟.
Evangelho — Mt 5, 1-12a
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo: 1vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los:
3“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
11Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12aAlegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Creio
Creio em Deus Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
Às palavras seguintes, até Virgem Maria, todos se inclinam.
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria,
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu à mansão dos mortos,
ressuscitou ao terceiro dia,
subiu aos céus,
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja Católica,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne
e na vida eterna. Amém.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Bonum est confiteri Domino, et psallere nomini tuo, altissime. (Ps. 91, 2)
Vernáculo:
Como é bom agradecermos ao Senhor e cantar salmos de louvor ao Deus Altíssimo! (Cf. LH: Sl 91, 2)
Sobre as Oferendas
Apresentamos, Senhor, no vosso altar os dons do nosso serviço. Acolhei-os com bondade e transformai-os em sacramento da nossa redenção. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Ou:
Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. (Mt 5, 3. 5)
Beáti mundo corde, quóniam ipsi Deum vidébunt: beáti pacífici, quóniam fílii Dei vocabúntur: beáti qui persecutiónem patiúntur propter iustítiam, quóniam ipsórum est regnum caelórum. (Mt. 5, 8. 9. 10; ℣. Ps. 33, vel Ps. 36, 1. 3. 16. 18. 19. 23. 27)
Vernáculo:
Bem-aventurados os puros no coração, pois eles verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, pois eles serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos Céus. (Cf. Bíblia CNBB: Mt 5, 8. 9. 10)
Depois da Comunhão
Alimentados com o sacramento da nossa redenção, nós vos pedimos, Senhor, que, com este auxílio de salvação eterna, cresça sempre mais a verdadeira fé. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 01/02/2026
As Bem-Aventuranças: O programa de vida de Jesus
Por vivermos apegados, não percebemos que a felicidade de estar unido a Deus não é uma ideia abstrata, mas uma realidade da qual só os pobres de espírito poderão participar.
Queridos irmãos e irmãs, a Igreja celebra o IV domingo do Tempo Comum, que nos fala das As Bem-Aventuranças, as quais podemos chamar “o programa de vida que Jesus tem para nós”.
Trata-se do início do Sermão da Montanha (Mateus 5,1-12), um dos pilares do cristianismo. Nele, Jesus apresenta as Bem-aventuranças, que invertem a lógica do mundo: a verdadeira felicidade não está no poder ou na riqueza, mas em atitudes de humildade e amor.
O homem anseia por Deus. Ele foi feito para Ele e não encontra repouso fora d'Ele: "Tu nos fizeste para ti, Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em ti", disse Agostinho. E cada um de nós pode recorrer à sua própria experiência para descobrir a profundidade oculta desta verdade, sempre antiga e sempre nova.
Contudo, ao observarmos a humanidade faminta e sedenta ao nosso redor, percebemos que busca a felicidade nas trevas — uma felicidade que raramente alcançam. Quem procura sem encontrar, ou quem busca e desespera-se na busca, vive em profunda angústia. Não surpreende, portanto, que a angústia seja a marca da nossa época: nascemos, de fato, sob a marca da angustia.
Precisamente por essa razão, o Senhor, por meio de seu profeta Sofonias, nos convida a caminhar em direção a Ele: Buscai o Senhor, Buscai a justiça, Buscai a humildade.
Todos nós queremos ser felizes. Isso é natural, ou melhor, é uma força que sempre nos impulsiona a buscar algo que satisfaça esse desejo. Mas nem todos encontram a resposta certa. Alguns acreditam encontrar consolo para sua ansiedade nas riquezas, como o rico insensato do Evangelho que imaginava poder desfrutar de longa felicidade descansando, comendo e bebendo porque seus celeiros estavam cheios de grãos. O Senhor o chama de insensato e louco, porque naquela mesma noite ele foi responsabilizado por sua vida, e todas as suas riquezas não puderam mantê-lo na terra por mais um minuto sequer (Lucas 12,13).
Há aqueles que, por outro lado, depositam sua felicidade no poder. Mas todos os que detêm poder estão bem cientes da angústia que muitas vezes os envolve, da incerteza quanto ao futuro. Tampouco faltam aqueles que acreditam que a felicidade reside na beleza; mas quem pode garantir que não envelhecerá, ou que seus dons naturais não se desvanecerão com o passar dos anos? O mesmo se pode dizer da saúde física e de tantos outros aspectos da vida.
Mas dissemos que o homem quer ser feliz. E precisamente para o homem desorientado, para o cego que não tem olhos para discernir o caminho da felicidade, o Senhor diz diretamente: Buscai ao Senhor. E o que o Profeta diz, a Palavra de Jesus Cristo repete. Pois, segundo Santo Tomás, quando Jesus proferiu o Sermão da Montanha, nada mais fez senão dar a resposta certa à busca equivocada da felicidade que leva os homens ao desespero.
Em seu Sermão da Montanha, Jesus nos diz o que é a felicidade e como alcançá-la:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. A felicidade é o mesmo que o Reino dos Céus; é um verdadeiro reinado, onde podemos ser senhores e não mais escravos; senhores de nós mesmos, não escravos de nossas paixões e misérias. Mas para sermos senhores e ricos, primeiro precisamos nos tornar pobres de espírito, isto é, livres das realidades passageiras que, mais cedo ou mais tarde, chegarão ao fim.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. A felicidade é a verdadeira e perfeita consolação, onde já não há dor, tristeza ou angústia. Mas para sermos consolados, primeiro devemos chorar, isto é, carregar a cruz de Cristo: os nossos sofrimentos, as nossas fraquezas e doenças, as nossas próprias falhas e as falhas dos outros. E tudo isto com um verdadeiro amor pela cruz, não forçado, mas alegre por termos sido escolhidos por Deus para acompanhar Jesus no seu caminho para o Calvário.
Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. A felicidade também é como a terra prometida por Deus a Abraão: a realização dos nossos desejos, aquilo que almejamos, mesmo sem o termos visto nem conhecido. Mas essa terra é conquistada pela mansidão de coração, não permitindo que nossas almas sejam dominadas pelo ódio, pela raiva, pelo ressentimento ou pela vingança.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. A felicidade é a verdadeira justiça, por meio da qual Deus nos recompensará por todas as nossas provações e pela nossa perseverança. Mas primeiro devemos ter fome e sede de justiça, isto é, de santidade (que é o significado de "justiça" nas Escrituras), e nos esforçar verdadeiramente para sermos santos e irrepreensíveis diante de Deus e diante dos homens.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. A felicidade consiste também em desfrutar da misericórdia de Deus, aquela misericórdia que não olha para os nossos pecados, mas para a fé da sua Igreja, e que, por amor à sua Esposa, a Igreja, demonstra misericórdia para conosco, seus filhos. Mas primeiro devemos praticar a misericórdia nós mesmos, porque Deus nos retribuirá na mesma medida em que retribuirmos ao nosso próximo.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Em última análise, a verdadeira e única felicidade consiste em ver a Deus: “Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17,3). Ver a Deus é regozijar-se para sempre. Pois Ele é infinitamente feliz e faz felizes todos os que O veem face a face. Mas, antes de tudo, é preciso ter o coração puro, pois um coração puro é como um cristal que deixa a luz passar. O cristal brilha como a luz que o penetra. Mas um coração manchado pelo pecado, contaminado por pensamentos e desejos malignos, assemelha-se mais a um cristal opaco que não pode ser transpassado pela luz.
"Temos sede de felicidade", disse Santo Agostinho, "e a inquietação nos corrói até alcançarmos a verdadeira paz de alma".
Que a Virgem Mãe, nossa Mãe, causa de nossa felicidade e alegria, nos conduza pelo caminho que nos levará ao coração eternamente feliz de seu amado Filho. Assim seja.
Deus abençoe você!
Pe. Fábio Vanderlei, IVE
Longe de serem mera expressão da eloquência de Nosso Senhor, as bem-aventuranças do Evangelho deste domingo constituem um verdadeiro itinerário para chegarmos ao Céu. Isso porque a felicidade plena, que buscamos constantemente, não está em nada deste mundo, mas unicamente em Deus. Se estamos unidos a Ele, arde em nossa alma uma chama viva de esperança, que dá sentido a todas as necessidades, aflições e contrariedades desta vida.Ouça a homilia dominical do Padre Paulo Ricardo e medite sobre o caminho da felicidade plena, revelado por Cristo nas bem-aventuranças.
Santo do dia 01/02/2026
Santa Brígida de Kildare (Memória Facultativa)
Local: Kildare, Irlanda
Data: 01 de Fevereiro † c. 525
Depois de São Patrício, Santa Brígida, a quem podemos considerar sua filha espiritual em Cristo, sempre foi objeto de uma especial veneração na Irlanda. Ela nasceu por volta do ano 451, em Fochard, na província de Ulster. Durante a infância, seu devoto pai teve uma visão de homens vestidos em paramentos brancos derramando um unguento sagrado sobre a cabeça da menina, prefigurando assim sua futura santidade.
Enquanto era ainda muito jovem, Brígida consagrou a vida a Deus, oferecia aos pobres tudo de que dispunha, e era motivo de edificação para todos que a conheciam. De rara beleza, temia que tentassem induzi-la a quebrar os votos pelos quais havia se entregue a Deus e dessem sua mão a um dos muitos pretendentes, e por isso rezou para se tornar feia e deformada. Sua prece foi ouvida, pois teve um dos olhos inchado, e todo seu aspecto mudou de tal forma que ela pode seguir sua vocação em paz, e a ideia de casar-se com Brígida já não passava mais pela cabeça de ninguém.
Por volta dos vinte anos de idade, nossa santa revelou a São Mel, sobrinho e discípulo de S. Patrício, sua intenção de viver apenas para Jesus Cristo, e ele consentiu em receber seus votos sagrados. No dia marcado, realizou-se a solene cerimônia de sua profissão, segundo a maneira introduzida por S. Patrício, com o bispo oferecendo muitas preces e investindo Brígida de um hábito branco como a neve e um manto da mesma cor. Enquanto ela curvava a cabeça para receber o véu, ocorreu um milagre particularmente notável e incrível: a parte da plataforma de madeira adjacente ao altar na qual ela se ajoelhara recobrou a vitalidade original e reassumiu todo seu antigo viço, permanecendo assim por longo tempo. No mesmo instante, o olho de Brígida foi curado, e ela se tornou tão linda e maravilhosa quanto antes.
Encorajadas por seu exemplo, diversas outras mulheres acompanharam-na nos votos, e, atendendo ao pedido dos pais de suas novas companheiras, a santa concordou em fundar uma casa religiosa nas cercanias. Tendo o bispo estabelecido um local conveniente, ergueu-se ali um convento - o primeiro da Irlanda - cuja direção, em obediência ao prelado, foi assumida por Brígida.
Sua reputação de santidade se tornava cada dia maior, e quanto mais se difundia por todo o país, mais aumentava o número de candidatas para admissão ao novo mosteiro. Os bispos da Irlanda, logo percebendo as importantes vantagens que suas respectivas dioceses poderiam tirar de semelhantes fundações, persuadiram a jovem e santa abadessa a visitar diferentes partes do reino e, se surgisse a ocasião, estabelecer em cada uma sua instituição.
No local em que hoje se encontra Kildare, parecendo bem adaptado para uma instituição religiosa, a santa e suas companheiras fixaram residência. Mesmo com seus escassos recursos, Brígida descobriu uma maneira de assistir substancialmente os pobres da região; e quando as necessidades daqueles indigentes ultrapassou suas exíguas finanças, ela não hesitou em sacrificar os próprios bens do convento por eles. Numa ocasião, nossa santa, imitando a ardente caridade de S. Ambrósio e outros grandes servos de Deus, vendeu algumas das vestes sagradas para que pudesse adquirir meios de aliviar as necessidades daquele povo. Era tão humilde que às vezes, por conta própria, cuidava do gado no terreno que pertencia ao mosteiro.
O rumor da caridade ilimitada de Brígida levou multidões de pobres para Kildare; a fama de sua piedade atraía muitas pessoas ansiosas em lhe solicitar preces ou tirar algum proveito de seu santo exemplo. Com o passar do tempo, o número delas cresceu tanto, que se tornou necessário fornecer-lhes alguma acomodação nas proximidades do novo mosteiro, e assim se originou a cidade de Kildare.
Depois de 70 anos dedicados à prática das mais sublimes virtudes, as debilidades corporais avisaram nossa santa de que estava chegando a hora de sua dissolução. A recordação da glória que obtivera junto ao Altíssimo, bem como dos serviços prestados a valiosas almas resgatadas pelo Preciosíssimo Sangue de seu divino Esposo, alegrava e consolava a Brígida, que enfrentava a debilidade inseparável da velhice. Sua última enfermidade foi aliviada pela presença de Nennidh, um sacerdote de grande santidade, de cuja juventude ela havia cuidado com devota solicitude, e que devia às preces e instruções da santa o seu grande progresso na sublime perfeição. Chegado o dia de nossa abadessa encerrar sua jornada, a 1º de fevereiro de 523, ela recebeu das mãos do santo sacerdote o sagrado Corpo e Sangue de seu Senhor na divina Eucaristia, e, aparentemente em seguida, seu espírito expirou, indo ter com Ele naquela pátria celeste onde o Senhor é visto e fruído face a face (I Cor 13, 12), sem o risco de perdê-lo jamais.
REFLEXÃO
A semelhança exterior com Nossa Senhora foi privilégio particular de S. Brígida; mas todos são obrigados a crescer como ela interiormente, na castidade do coração. Esta graça S. Brígida obteve em grau maravilhoso para as filhas de sua terra natal, mas jamais deixará de obtê-la também a todos os seus devotos seguidores.
BUTLER, Alban. Vida dos Santos: para todos os dias do ano. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2021. 560 p. Tradução de: Emílio Costaguá. Adaptação: Equipe Pocket Terço.
Santa Brígida de Kildare, rogai por nós!


