Santa Inês, Virgem e Mártir, Memória
Antífona de entrada
Ou:
Feliz a virgem que, renunciando a si mesma e tomando sua cruz, imitou o Senhor, o esposo das virgens e príncipe dos mártires.
Vernáculo:
Espreitam-me os maus para perder-me, mas continuo sempre atento à vossa lei. Vi que toda a perfeição tem seu limite, e só a vossa Aliança é infinita. Sl. Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo! (Cf. LH: Sl 118, 95. 96 e 1)
Coleta
Deus eterno e onipotente, que escolheis o que é fraco no mundo para confundir o que é forte, concedei benigno a nós, que celebramos o martírio de Santa Inês, a graça de imitar sua constância na fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Hb 6, 10-20
Leitura da Carta aos Hebreus
Irmãos, 10Deus não é injusto, para esquecer aquilo que estais fazendo e a caridade que demonstrastes em seu nome, servindo e continuando a servir os santos. 11Mas desejamos que cada um de vós mostre até ao fim este mesmo empenho pela plena realização da esperança, 12para não serdes lentos à compreensão, mas imitadores daqueles que, pela fé e a perseverança se tornam herdeiros das promessas.
13Pois quando Deus fez a promessa a Abraão, não havendo alguém maior por quem jurar, jurou por si mesmo, 14dizendo: “Eu te cumularei de bênçãos e te multiplicarei em grande número”. 15E assim, Abraão foi perseverante e alcançou a promessa.
16Os homens juram, de fato, por alguém mais importante, e a garantia do juramento põe fim a qualquer contestação. 17Por isso, querendo Deus mostrar, com mais firmeza, aos herdeiros da promessa, o caráter irrevogável da sua decisão, interveio com um juramento.
18Assim, por meio de dois atos irrevogáveis, nos quais não pode haver mentira por parte de Deus, encontramos profunda consolação, nós que tudo deixamos para conseguir a esperança proposta.
19A esperança, com efeito, é para nós qual âncora da vida, segura e firme, penetrando para além da cortina do santuário, 20aonde Jesus entrou por nós, como precursor, feito sumo sacerdote eterno na ordem de Melquisedec.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 110(111), 1-2. 4-5. 9 e 10c (R. 5b)
℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança.
— Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração! ℟.
— O Senhor bom e clemente nos deixou a lembrança de suas grandes maravilhas. Ele dá o alimento aos que o temem e jamais esquecerá sua Aliança. ℟.
— Enviou libertação para o seu povo, confirmou sua Aliança para sempre. Seu nome é santo e é digno de respeito. Permaneça eternamente o seu louvor. ℟.
℣. Que o Pai do Senhor Jesus Cristo vos dê do saber o Espírito; para que conheçais a esperança, reservada para vós como herança! (Ef 1, 17-18) ℟.
Evangelho — Mc 2, 23-28
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Marcos
℟. Glória a vós, Senhor.
Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. 24Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?”
25Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”.
27E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. 28Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Afferéntur regi vírgines: próximae eius afferéntur tibi in laetítia et exsultatióne: adducéntur in templum regi Dómino. (Ps. 44, 15. 16)
Vernáculo:
Em vestes vistosas ao Rei se dirige, e as virgens amigas lhe formam cortejo; entre cantos de festa e com grande alegria, ingressam, então, no palácio real. (Cf. LH: Sl 44, 15. 16)
Sobre as Oferendas
Senhor, os dons que vos apresentamos na celebração de Santa Inês sejam do vosso agrado, como vos foi precioso o combate do vosso martírio. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Vernáculo:
As cinco virgens prudentes, ao tomarem suas lâmpadas, levaram óleo consigo. No meio da noite ouviu-se um grito: Eis, o Noivo está chegando: ide ao encontro do Cristo Senhor. (Cf. MR: Mt 25, 4. 6)
Depois da Comunhão
Ó Deus, que coroastes Santa Inês entre os santos pela dupla vitória da virgindade e do martírio, concedei-nos, pela força desse sacramento, superar com firmeza todo mal e alcançar a glória celeste. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 21/01/2025
Ainda devemos guardar o sábado?
“O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”.
No Evangelho de hoje, Jesus proclama-se Senhor também do sábado. Que é o mandamento de guardar o sábado? Em que consiste esse mandamento, que está no Decálogo e que Deus entregou a Moisés e ao povo no Antigo Testamento?Trata-se, em primeiríssimo lugar, de uma realidade que está na própria natureza das coisas. Nós precisamos dedicar tempo a Deus. Se fomos feitos para Ele, se verdadeiramente queremos amá-lo sobre todas as coisas, precisamos dedicar tempo à oração e ao encontro com Deus; mas, para ter tempo para Deus, precisamos “fazer” tempo.Foi por isso que Deus, no Antigo Testamento, impôs esta lei, o mandamento de guardar o sábado. No Antigo Testamento, servia de pedagogia divina. Deus ensinou as coisas aos poucos, parte por parte. Em primeiro lugar, Ele ensinou a cessar o trabalho: “Vamos parar de trabalhar”; mas a essência do mandamento não era parar de trabalhar, a essência do mandamento era cessar o trabalho para — eis sua finalidade — prestar culto a Deus. Estar com Deus.Sendo assim, nós sabemos, então, que existe no mandamento de guardar o sábado algo que é de sua essência, o seu núcleo, e algo de sua periferia, que é relativo e circunstancial. É por isso que nós, cristãos, quando cumprimos o mandamento (é o terceiro dos Dez Mandamentos) de guardar o sábado, não nos apegamos ao que é secundário, ou seja, ao simples deixar de trabalhar, senão que nos apegamos à essência, que é prestar culto a Deus.Ora, uma vez que nós estamos no Novo Testamento e que Jesus ressuscitou no domingo, já não se guarda mais o sábado, mas o domingo, o dia do Senhor. (Aliás, a palavra “domingo” quer dizer exatamente isso, “dia do Senhor”.) Essa realidade do dia do Senhor está presente já nas Sagradas Escrituras. Se formos ler o livro do Apocalipse, iremos ver que São João teve a sua visão, suas revelações no dia do Senhor, no dia κυριακή [kyriakḗ], que é o dia dedicado ao κύριος [kýrios].Pois bem, podemos dizer que houve uma evolução no sentido de que passamos do sábado para o domingo, mas a essência do mandamento continua a mesma. E qual é a razão de nós, cristãos católicos, “transferirmos” a observância do sábado para o domingo? A razão é bastante óbvia. Qual era a razão do sábado? Na criação, Deus fizera o mundo em seis dias e, no sétimo, descansou exatamente para dizer que nós também precisamos de descanso para estar com Deus e prestar-lhe culto.No Antigo Testamento se prestava a Deus o culto no sábado por meio do repouso e do descanso. No entanto, esta é a obra da criação; na obra da redenção as coisas mudam. Por quê? Porque Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, mas veio a má notícia: o homem pecou, então Deus saiu de seu descanso e veio ao nosso encontro.É por isso que, quando Jesus “rompe” o sábado, diz ser o Senhor do sábado e permite aos seus operários, os Apóstolos, trabalharem no sábado, tudo isso tem um significado, ou seja, Deus saiu do descanso, veio ao nosso encontro, em busca do homem, a ovelha perdida, porque era autorizado que o pastor fosse atrás de uma ovelha perdida até mesmo em dia de sábado.Então, aprendamos a essência do mandamento, que é a seguinte: dar tempo a Deus na oração. Isso era feito antigamente em dia de sábado, agora é feito no domingo. O domingo é o oitavo dia, o dia da “re-criação”, da redenção, quando Ele veio ao nosso encontro!
Deus abençoe você!
Celebramos hoje, com grande alegria, uma das mártires mais ilustres da antiguidade cristã: Santa Inês de Roma. Morta com 12 anos durante as perseguições de Diocleciano, ela foi sempre invocada pelo povo fiel como especial padroeira da castidade, uma das virtudes em que ela mais demonstrou a força e a grandeza de alma que confere a graça de Cristo aos que lhe são fiéis.Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta terça-feira, dia 21 de janeiro, e peçamos a intercessão de Santa Inês, a quem, sendo tão pequena, Deus concedeu a grandeza dos santos e o heroísmo dos mártires.
Santo do dia 21/01/2025
Santa Inês, Virgem e Mártir (Memória)
Local: Roma, Itália
Data: 21 de † s. III-IV in.
Inês, Agnes em latim, é uma das clássicas Santas Virgens Mártires do primitivo Calendário romano. Seu nome consta na I Oração Eucarística (Cânon romano).
Inês era romana, de importante família cristã e mártir provavelmente da perseguição do imperador Diocleciano (303-305). São poucos os dados certos, inclusive sobre o modo como ela foi martirizada. No Tratado sobre as Virgens, Santo Ambrósio dedica belíssimas palavras a Santa Inês. Ele a exalta como virgem consagrada totalmente a Jesus Cristo, seu esposo. "Ainda não preparada para o sofrimento e já madura para a vitória". Ele a apresenta como uma menina adolescente de 13 anos apenas. Acrescenta que Inês dá uma lição de firmeza apesar de tão pouca idade! Ambrósio conclui: "Tendes, pois, numa única vítima um duplo martírio: o da castidade e o da fé. "Inês permaneceu virgem e alcançou o martírio". Desta dupla vitória das virgens mártires provém também a expressão "dupla coroa", a da virgindade e a do martírio nas Missas de uma Virgem Mártir.
A oração da memória focaliza a Deus, que escolhe as criaturas mais frágeis para confundir os poderosos. Exalta a força da graça na fragilidade de uma menina adolescente. Apresenta como exemplo sua constância na fé. Exalta-se a coragem e a força das mulheres mártires, que no testemunho da fé em Cristo Jesus e no amor a ele equiparam-se aos homens e muitas vezes os superam.
Sobre seu túmulo em Roma foi construída uma basílica, hoje também Convento de religiosas, dando testemunho do amor consagrado inteiramente a Deus.
Por causa da semelhança do seu nome com agnus, cordeiro, Inês, em latim Agnes, ela é representada com um cordeirinho ou uma ovelhinha nos braços que pode significar também sua inocência.
No dia da festa de Santa Inês, em sua basílica em Roma, são abençoados dois cordeirinhos, símbolos da inocência, de cuja lã são confeccionados os pálios que o Papa dá como insígnia aos arcebispos, manifestando sua comunhão com o Papa, o supremo Pastor das ovelhas de Cristo. Estes pálios são colocados, em geral, na véspera da festa de São Pedro e São Paulo, sobre o altar existente sobre o túmulo de São Pedro no Vaticano. Como um manso cordeiro, Inês foi levada ao suplício do martírio, participando, agora, da glória do Cordeiro imolado e vitorioso.
Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
Santa Inês, rogai por nós!


