Batismo do Senhor, Festa
Antífona de entrada
Dilexísti iustítiam, et odísti iniquitátem: proptérea unxit te Deus, Deus tuus, óleo laetítiae prae consórtibus tuis. Ps. Eructávit cor meum verbum bonum: dico ego ópera mea regi. (Ps. 44, 8 et 2)
Vernáculo:
Vós amais a justiça e odiais a maldade. É por isso que Deus vos ungiu com seu óleo, deu-vos mais alegria que aos vossos amigos. Sl. Transborda um poema do meu coração; vou cantar-vos, ó Rei, esta minha canção; minha língua é qual pena de um ágil escriba. (Cf. LH: Sl 44, 8 e 2)
Glória
Glória a Deus nas alturas,
e paz na terra aos homens por Ele amados.
Senhor Deus, rei dos céus,
Deus Pai todo-poderoso.
Nós vos louvamos,
nós vos bendizemos,
nós vos adoramos,
nós vos glorificamos,
nós vos damos graças
por vossa imensa glória.
Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito,
Senhor Deus, Cordeiro de Deus,
Filho de Deus Pai.
Vós que tirais o pecado do mundo,
tende piedade de nós.
Vós que tirais o pecado do mundo,
acolhei a nossa súplica.
Vós que estais à direita do Pai,
tende piedade de nós.
Só Vós sois o Santo,
só vós, o Senhor,
só vós, o Altíssimo,
Jesus Cristo,
com o Espírito Santo,
na glória de Deus Pai.
Amém.
Coleta
Deus eterno e todo-poderoso, que, tendo sido o Cristo batizado no rio Jordão, e descendo sobre ele o Espírito Santo, o declarastes solenemente vosso dileto Filho, concedei aos vossos filhos adotivos, renascidos da água e do Espírito Santo, perseverar constantemente em vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Ou:
Ó Deus, cujo Filho Unigênito se manifestou na realidade da nossa carne, concedei-nos que, reconhecendo-o exteriormente semelhante a nós, sejamos interiormente renovados por ele, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Is 42, 1-4. 6-7
Leitura do Livro do Profeta Isaías
Assim fala o Senhor: 1“Eis o meu servo — eu o recebo; eis o meu eleito — nele se compraz minh’alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. 2Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. 3Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. 4Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. 6Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, 7para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 28(29), 1a. 2. 3ac-4. 3b. 9b-10 (R. 11b)
℟. Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!
— Filhos de Deus, tributai ao Senhor, tributai-lhe a glória e o poder! Dai-lhe a glória devida ao seu nome; adorai-o com santo ornamento! ℟.
— Eis a voz do Senhor sobre as águas, sua voz sobre as águas imensas! Eis a voz do Senhor com poder! Eis a voz do Senhor majestosa! ℟.
— Sua voz no trovão reboando! No seu templo os fiéis bradam: “Glória!” É o Senhor que domina os dilúvios, o Senhor reinará para sempre! ℟.
Segunda Leitura — At 10, 34-38
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. 35Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. 36Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa-nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: 38como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
℣. Abriram-se os céus e fez-se ouvir a voz do Pai: Eis meu Filho muito amado; escutai-o, todos vós! (cf. Mc 9, 6) ℟.
Evangelho — Mt 3, 13-17
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo,13Jesus veio da Galileia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele. 14Mas João protestou, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?”
15Jesus, porém, respondeu-lhe: “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!” E João concordou. 16Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele.
17E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Creio
Creio em Deus Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
Às palavras seguintes, até Virgem Maria, todos se inclinam.
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria,
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu à mansão dos mortos,
ressuscitou ao terceiro dia,
subiu aos céus,
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja Católica,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne
e na vida eterna. Amém.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Benedíctus qui venit in nómine Dómini: benedíximus vobis de domo Dómini: Deus Dóminus, et illúxit nobis, allelúia, allelúia. (Ps. 117, 26. 27)
Vernáculo:
Bendito seja, em nome do Senhor, aquele que em seus átrios vai entrando! Desta casa do Senhor vos bendizemos. Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine! Aleluia, aleluia. (Cf. LH: Sl 117, 26. 27a)
Sobre as Oferendas
Recebei, Senhor, as oferendas que vos apresentamos no dia em que revelastes vosso Filho, para que a oblação dos vossos fiéis se torne o sacrifício daquele que, em sua misericórdia, quis lavar os pecados do mundo. Ele, que vive e reina pelos séculos dos séculos.
Antífona da Comunhão
Omnes qui in Christo baptizáti estis, Christum induístis, allelúia. (Gal. 3, 27; ℣. Ps. 28, 1. 2. 3. 4. 5. 7-8. 10. 11)
Vernáculo:
Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo, aleluia. (Cf. Bíblia CNBB: Gl 3, 27)
Depois da Comunhão
Nutridos pelo vosso sacramento, suplicamos humildemente, Senhor, a vossa clemência, para que, ouvindo fielmente o vosso Filho Unigênito, sejamos chamados filhos de Deus, e o sejamos de fato. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 11/01/2026
O Batismo de Cristo e o nosso Batismo
“Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele”.
Queridos irmãos e irmãs, celebramos a Festa do Batismo do Senhor, com a qual encerramos o tempo do Natal. Amanhã, na segunda-feira, iniciamos um novo tempo litúrgico: o tempo ordinário, também chamado de Tempo Comum.
O Evangelho de hoje vai nos falar sobre o Batismo do Senhor, feito por São João Batista, e eu queria dividir essa homilia em duas partes: a primeira, justamente o Batismo do Senhor; e a segunda, o nosso batismo.
Com relação ao Batismo do Senhor, a primeira pergunta que nos surge é justamente: por que o Senhor foi batizado? Jesus precisava de batismo?
Se João Batista pregava um batismo de conversão e arrependimento, como aprendemos das SS. Escrituras (cf. Mt 3,1-2), por que Jesus, que não tinha pecados nem precisava converter-se, quis ser batizado por ele?
Para responder a esta pergunta recordemos, em primeiro lugar, a cena evangélica tal como a narra o evangelista São Mateus: Da Galileia foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele. João recusava-se: “Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!” Mas Jesus lhe respondeu: “Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa”. Então João cedeu. Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água. Eis que os céus se abriram e se viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espírito de Deus. E do céu baixou uma voz: “Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição” (Mt 3,13-17).
Vejamos agora as consequências teológicas que se seguem deste episódio da vida de Nosso Senhor.
Antes de tudo, é preciso afirmar que, à semelhança de todas as outras obras de Deus, foi muito conveniente que Cristo fosse batizado e recebesse o batismo de João.
Santo Tomás de Aquino oferece-nos as seguintes razões para provar a conveniência do batismo de Jesus (cf. Suma teológica, III, q. 39, a. 1, co.):
- Em primeiro lugar, Jesus, ao ser batizado, purificou a água, deixando-a limpa com o contato de sua carne santíssima e conferindo-lhe, assim, a virtude de santificar os que depois dele haviam de ser batizados. Por isso, podemos dizer que Jesus foi batizado, não para purificar-se, mas para purificar-nos.
- Além disso, embora Cristo não fosse pecador, assumiu a carne semelhante a do pecado, como diz São João Crisóstomo, e quis, com o seu batismo, que todo o velho Adão submergisse nas águas da regeneração.
- Por fim, Jesus, modelo de todas as virtudes e fiel cumpridor da Lei tanto antiga como nova, quis fazer ele mesmo o que nós, por ordem sua, estamos obrigados a fazer. Assim, serviu-nos de exemplo e estimulou-nos a receber o verdadeiro batismo que ele havia de instituir mais tarde.
E foi conveniente que o Senhor recebesse justamente o batismo de João, e não o batismo cristão e sacramental, porque, estando cheio do Espírito Santo desde o primeiro instante de sua concepção, não precisava receber o batismo espiritual.
Desta forma, Jesus autorizava o batismo de João como preparação para o verdadeiro batismo e nos estimulava com o seu exemplo a receber este último.
O batismo do Senhor, além disso, foi acompanhado de uma série de circunstâncias e sinais muito chamativos. Também eles foram convenientes e oportunos. Vejamos um por um.
a. Quanto à idade, foi muito razoável que Cristo se batizasse aos trinta anos, pois esta é a idade que, de um modo geral, se considera a mais perfeita, e foi nela que Jesus começou a pregar o Evangelho. Em todo caso, o batismo cristão deve ser recebido logo após o nascimento, para que o recém-nascido não seja privado da graça nem corra o risco de morrer sem este sacramento tão necessário.
b. Quanto ao lugar, foi conveniente e muito simbólico que Jesus se batizasse no rio Jordão, que os israelitas tiveram de atravessar para entrar na terra prometida. O batismo de Cristo, com efeito, nos introduz na verdadeira terra prometida, que é o Reino dos Céus.
c. Além disso, foi muito oportuno que, durante o batismo de Cristo, os céus se abrissem sobre ele, a fim de significar que, pelo batismo cristão, nos são abertas as portas do reino celestial, fechadas ao primeiro homem por causa do pecado.
d. Foi também convenientíssimo que o Espírito Santo descesse sobre o Senhor em forma de pomba, para significar que todo aquele que recebe o batismo de Cristo se converte em templo e sacrário do Espírito Santo, devendo, por isso mesmo, levar uma vida simples e pura como a de uma pomba.
e. Finalmente, foi conveniente que no batismo de Cristo se ouvisse a voz do Pai manifestando o seu agrado, uma vez que o batismo cristão se realiza pela invocação e poder da Santíssima Trindade, e no batismo de Cristo se manifestou todo o mistério trinitário: a voz do Pai, a presença do Filho e a descida do Espírito Santo em forma de pomba.
Vale a pena notar ainda duas coisas:
Em primeiro lugar, foi muito oportuno que Deus Pai se manifestasse pela voz, porque é próprio do Pai gerar o Verbo, que significa justamente “a Palavra”, de maneira que a própria voz emitida pelo Pai dá testemunho da filiação do Verbo.
Por fim, é preciso ter o cuidado de notar que a pomba que apareceu sobre Cristo simbolizava o Espírito Santo; mas de modo nenhum devemos crer que se tratava do próprio Espírito Santo manifestando-se de forma visível, pois ele não assumiu nenhuma natureza corpórea, diferentemente do Verbo, que assumiu na unidade de sua pessoa a natureza humana de Cristo.
O NOSSO BATISMO
Diz o Catecismo da Igreja Católica, 1213, que o Batismo é: o fundamento de toda a vida cristã, a porta da vida espiritual e dos outros sacramentos. Acontece muito frequentemente que nós não somos bons cristãos simplesmente porque não vivemos com profundidade o nosso batismo; as vezes nem sequer entendemos o que significa realmente o batismo.
1. O que é o Batismo?
“Batismo” vem de BAPTIZEIN: submergir, introduzir dentro da água... simboliza o SEPULTAR (imersão) e o RESSUSCITAR (emersão) de Cristo, revividos no cristão (cf. Catecismo, 1214). É necessário para a salvação. Jesus Cristo mandou batizar a todas as nações: “Portanto, ide, e fazei discípulos em todas as nações, batizando-os no nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-lhes a guardar todas as coisas que vos mandei; e eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 19-20; Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1257).
2. Que efeitos produz
Podemos dizer que mais que efeitos o batismo produz “maravilhas divinas”. Vamos enumerá-las:
1) Infunde a graça regenerativa: é o primeiro – em ordem de importância – de todos os seus efeitos. É a graça santificante que nos regenera em Jesus Cristo, quer dizer, nos faz nascer de novo para uma vida nova. Junto com a graça santificante nos infunde na alma as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo: “Todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados para participar de sua morte. Com Ele fomos sepultados pelo batismo para que, como Ele ressuscitou dentre os mortos, também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6,3-4; Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1266).
2) Converte o batizado em templo vivo da Santíssima Trindade: “Se alguém me ama, guardará minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos a ele e nele faremos morada” (Jo 14,23).
3) Faz-nos membros vivos de Jesus Cristo: o batismo incorpora a Cristo como membros dele. Como quando se enxerta um broto em uma planta. Pelo batismo começamos a viver com Cristo, a viver de Cristo e a viver para Cristo. Por isso São Paulo usa fórmulas dizendo que o cristão:
- Está ou foi sepultado com Cristo;
- Reveste-se de Cristo (Gl 3,27);
- Está pregado na cruz com Cristo (Gl 2,19);
- Tem os mesmos sentimentos de Cristo (Fl);
- Ao morrer “dorme em Cristo” (1Cor 15,18);
- E resumindo tudo diz: “Minha vida é Cristo” (Fl 1,21).
4) Imprime o caráter cristão: caráter quer dizer “selo”, “marca”. É um rastro indelével, impresso na alma que permanecerá eternamente. Por esse rastro ficamos “destinados” para Deus, para o culto divino. Somos como os cálices, os templos, os sacramentos sagrados, ficamos – por assim dizer – “consagrados”.
5) Apaga o pecado original e os atuais se os tiver. O pecado original é o pecado de Adão e Eva, que nos é transmitido com a concepção. É o pecado que deu origem a todo mal, toda enfermidade, todo ódio, guerra, discórdia, morte. Recebemos sua transmissão ao sermos concebidos no seio materno, no primeiro instante de nossa vida. Este pecado consiste na privação da graça e na inclinação ao mal; estabelece certa pertença ao pecado, ao demônio, mas o batismo nos liberta.
O pecado atual é “nosso pecado” pessoal. Todo pecado é uma ruptura com Deus, um dar as costas a Deus para pedir a uma criatura que nos faça feliz em lugar de Deus (a fama, o poder, as paixões, o sexo, a gula etc.). Diz o profeta Jeremias: “Ó céus, pasmai, tremei de espanto e horror - oráculo do Senhor. Porque meu povo cometeu uma dupla perversidade: abandonou-me, a mim, fonte de água viva, para cavar cisternas, cisternas fendidas que não retêm a água (2,12-13). Pelo batismo também nossos pecados atuais (se os tivermos) são apagados.
3. Exigências
É compreensível que uma realidade tão divina exija de nossa parte certa correspondência, certas exigências. As principais são duas: uma positiva e outra negativa:
1) Exigência negativa: morrer definitivamente ao pecado
É a mais elementar. Batismo é conversão: abandono do pecado para receber a Deus. Mas não se recebe a Deus se não se estiver disposto a abandonar o pecado. Não se pode – como dizia o Profeta Elias aos judeus – “mancar dos dois pés”, quer dizer, estar com Deus e com o diabo. Jesus Cristo disse: “não se pode servir a dois senhores...”. Dissemos que o batismo nos consagra para Deus, como coisa Dele; terrível é profanar as coisas de Deus.
No nosso batismo o sacerdote nos pergunta se renunciamos a três coisas: ao demônio, ao pecado e ao mundo, suas pompas e a suas seduções. Dizemos que sim – pela boca de nossos padrinhos – e só porque dizemos que sim nos ele no batiza. Devemos ser consequentes com essa afirmação.
2) Exigência positiva: viver com Cristo em Deus
“Vivos para Deus em Cristo Jesus” (Rm 6,11); “Se, pois, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde está Cristo sentado à direita de Deus; pensai nas coisas do alto, não nas da terra. Estais mortos, e vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,1-3).
O que significa isto? Significa esforçar-nos por muitas coisas como:
- Pensar como Cristo;
- Suspirar pelo céu: “não temos aqui cidade permanente” (Hb 13,14);
- Amar a Cruz de Cristo;
- Ser santos;
- Viver a graça;
- Conhecer e amar a Jesus Cristo. E aqui é lamentável ter de dizer que muitos cristãos nem sequer leram o Evangelho.
Renovemos espiritualmente nosso batismo. Voltemos a nos entregar a Deus com toda a alma, com toda consciência. Assim seja, amém.
Deus abençoe você!
Pe. Fábio Vanderlei, IVE
Na Festa do Batismo do Senhor, somos chamados a perceber a grandeza do nosso Batismo — meditando sobre os efeitos que esse sacramento realiza em nossa alma — e a abraçar as exigências fundamentais para vivê-lo bem em nosso cotidiano. Mas como realmente podemos viver as graças batismais em nosso dia a dia? É o que Padre Paulo Ricardo explica nesta homilia dominical sobre a renovação espiritual do nosso Batismo.
Santo do dia 11/01/2026
São Higino (Memória Facultativa)
Local: Roma, Itália
Data: 11 de Janeiro † 142
No elenco dos doze primeiros bispos de Roma feito por santo Ireneu, no fim do século II, Higino é o nono. Sua memória, porém, só foi introduzida no século XII. Por essa razão, o novo calendário deixou-o fora. É santo muito querido pelo povo. Sua existência está fora de qualquer contestação. Sofreu o martírio na perseguição desencadeada pelo imperador Antonino Pio (ano 140?).
O Liber Pontificalis e o Martirológio Romano afirma que também Higino sofreu o martírio no dia 11 de janeiro (1407), durante a perseguição de Antonino Pio. Foi sepultado junto ao corpo de são Pedro, no Vaticano. Alguns estudiosos discordam que ele tenha sido mártir, mas que foi santo por outros méritos. Durante seu breve pontificado (136-140), os ataques dos pagãos haviam diminuído e a Igreja se viu ameaçada pela proliferação de seitas heréticas.
Valentim e Cerdão ousaram enfrentar Roma espalhando a heresia do gnosticismo, mistura de doutrinas e práticas religiosas com filosofia e mistérios, cujo princípio fundamental é este: há uma fé comum que é suficiente aos incultos, mas existe uma ciência reservada aos doutos que oferece explicação filosófica da fé comum. Os dois hereges foram excomungados pelo papa Higino, chamado filósofo de origem ateniense. Portanto, um filósofo dirigia a barca de Pedro no momento certo quando a perniciosa heresia gnóstica tendia a absorver a Revelação divina, transformando-a em simples filosofia religiosa.
Higino se esmerou assim na preservação da integridade do ensinamento evangélico. Tomando como exemplo o poderoso imperador Adriano, mexeu nas estruturas hierárquicas, instituiu as Ordens menores para melhorar o serviço da Igreja e preparação ao sacerdócio. Parece que se deve a ele a instituição de padrinhos no batismo.
Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
São Higino, rogai por nós!


