23º Domingo do Tempo Comum
Antífona de entrada
Vernáculo:
Vós sois justo, na verdade, ó Senhor, e os vossos julgamentos são corretos. Conforme o vosso amor, Senhor, tratai-me. (Cf. MR: Sl 118, 137. 124) Sl. Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo! (Cf. LH: Sl 118, 1)
Glória
Glória a Deus nas alturas,
e paz na terra aos homens por Ele amados.
Senhor Deus, rei dos céus,
Deus Pai todo-poderoso.
Nós vos louvamos,
nós vos bendizemos,
nós vos adoramos,
nós vos glorificamos,
nós vos damos graças
por vossa imensa glória.
Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito,
Senhor Deus, Cordeiro de Deus,
Filho de Deus Pai.
Vós que tirais o pecado do mundo,
tende piedade de nós.
Vós que tirais o pecado do mundo,
acolhei a nossa súplica.
Vós que estais à direita do Pai,
tende piedade de nós.
Só Vós sois o Santo,
só vós, o Senhor,
só vós, o Altíssimo,
Jesus Cristo,
com o Espírito Santo,
na glória de Deus Pai.
Amém.
Coleta
Ó Deus, olhai com bondade os que redimistes e adotastes como filhos e filhas, e concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Sb 9, 13-18
Leitura do Livro da Sabedoria
Qual é o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Ou quem pode imaginar o desígnio do Senhor?
14Na verdade, os pensamentos dos mortais são tímidos e nossas reflexões incertas: 15porque o corpo corruptível torna pesada a alma, e tenda de argila oprime a mente que pensa. 16Mal podemos conhecer o que há na terra, e com muito custo compreendemos o que está ao alcance de nossas mãos; quem, portanto, investigará o que há nos céus? 17Acaso alguém teria conhecido o teu desígnio, sem que lhe desses Sabedoria e do alto lhe enviasses teu santo espírito? 18Só assim se tornaram retos os caminhos dos que estão na terra, e os homens aprenderam o que te agrada, e pela Sabedoria foram salvos.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 89(90), 3-4. 5-6. 12-13. 14. 17 (R. 1)
℟. Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós.
— Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!” Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou. ℟.
— Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca. ℟.
— Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos! ℟.
— Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho. ℟.
Segunda Leitura — Fm 9b-10. 12-17
Leitura da Carta de São Paulo a Filêmon
Caríssimo: 9bEu, Paulo, velho como estou, e agora também prisioneiro de Cristo Jesus, 10faço-te um pedido em favor do meu filho, que fiz nascer para Cristo na prisão, Onésimo. 12Eu o estou mandando de volta para ti. Ele é como se fosse o meu próprio coração. 13Gostaria de tê-lo comigo, a fim de que fosse teu representante para cuidar de mim nesta prisão, que eu devo ao Evangelho. 14Mas, eu não quis fazer nada sem o teu parecer, para que a tua bondade não seja forçada, mas espontânea. 15Se ele te foi retirado por algum tempo, talvez seja para que o tenhas de volta para sempre, 16já não como escravo, mas, muito mais do que isso, como um irmão querido, muitíssimo querido para mim quanto mais ele o for para ti, tanto como pessoa humana quanto como irmão no Senhor. 17Assim, se estás em comunhão de fé comigo, recebe-o como se fosse a mim mesmo.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
℣. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos! (Sl 118, 135) ℟.
Evangelho — Lc 14, 25-33
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 25grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: 26“Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. 28Com efeito, qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, 29ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’
31Ou ainda: Qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. 33Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Creio
Creio em Deus Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
Às palavras seguintes, até Virgem Maria, todos se inclinam.
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria,
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu à mansão dos mortos,
ressuscitou ao terceiro dia,
subiu aos céus,
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja Católica,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne
e na vida eterna. Amém.
Antífona do Ofertório
Orávi Deum meum ego Dániel, dicens: exáudi, Dómine, preces servi tui: illúmina fáciem tuam super sanctuárium tuum: et propítius inténde pópulum istum, super quem invocátum est nomen tuum, Deus. (Dan. 9, 4. (2.) 17. 19)
Vernáculo:
Orei ao Senhor meu Deus, eu, Daniel, confessando: escuta a oração e as súplicas do teu servo, mostra a tua face sobre o teu Santuário. Perdoa, Senhor! Pois teu nome foi invocado sobre a cidade e sobre o teu povo. (Cf. Bíblia CNBB: Dn 9, 4. (2.) 17. 19)
Sobre as Oferendas
Ó Deus, fonte da verdadeira piedade e da paz, concedei que vos honremos dignamente nesta celebração e, pela fiel participação nos sagrados mistérios, sejam reforçados os laços que nos unem. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Ou:
Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida. (Jo 8, 12)
Vernáculo:
Ao vosso Deus fazei promessas e as cumpri; vós que o cercais, trazei ofertas ao Terrível; ele esmaga os reis da terra em seu orgulho, e faz tremer os poderosos deste mundo! (Cf. LH: Sl 75, 12. 13)
Depois da Comunhão
Senhor, que alimentais e fortaleceis vossos fiéis com o pão da Palavra e da Eucaristia, concedei-nos desfrutar de tal modo destes dons do vosso amado Filho, que mereçamos para sempre viver em comunhão com ele. Que vive e reina pelos séculos dos séculos.
Homilia do dia 07/09/2025
O amor que nos faz amar mais: O amor à Cruz
Mesmo os valores mais sagrados, como relacionamento familiar, devem submeter-se ao valor superior, o do Reino de Deus, à imitação de Jesus Cristo. “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo.” (Lc 14, 27)
Queridos irmãos e irmãs, no Evangelho deste 23º Domingo do Tempo Comum, o Evangelho de São Lucas (14,25-33), Nosso Senhor Jesus Cristo, se dirige a grandes multidões o acompanhvam, e quis deixar-lhes um ensinamento da básico da vida cristã: “Se alguém vem a Mim, e não odeia pai e mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs e até a própria vida, não pode ser Meu discípulo”.
Como explica Dom José Maria Pereira, “odiar” na linguagem bíblica, ou renunciar, segundo o uso semítico, significa amar menos, pospor, como se pode apreciar no texto paralelo ou similar de Mt 10,37: “Quem amar o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim”. Esta afirmação quer dizer que só Deus tem o direito ao primado absoluto no coração e na vida do homem; Jesus é Deus e, por conseguinte, é lógico que o exija como condição indispensável para ser Seu discípulo.
“O Senhor, comenta S. Ambrósio, não manda nem desconhecer a natureza nem ser escravo dela; manda atender à natureza de tal maneira que se venere o Seu Autor e não se afaste de Deus por amor aos pais”. Isto é válido para todos, mesmo para os simples cristãos, como para todos é válida também a frase seguinte: “Quem não carrega sua Cruz e não caminha atrás de Mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,27). Jesus vai a caminho de Jerusalém onde será crucificado e, à multidão que O segue, declara a necessidade de levar a Cruz com amor e constância. Ele levou a Cruz até morrer pregado nela; o cristão não pode pensar em levá-la só em alguns momentos da vida, mas terá que abraçá-la todos os dias, até à morte.
O seguimento de Cristo exige uma atitude radical de desprendimento de tudo que possa opor-se à proposta de Jesus. Mesmo os valores mais sagrados, como relacionamento familiar, devem submeter-se ao valor superior, o do Reino de Deus, à imitação de Jesus Cristo. Quem deseja ser discípulo de Jesus Cristo deve estar pronto a investir tudo, até a própria vida, até os valores mais sagrados como as vinculações de sangue e os bens materiais.
Isso não significa que os cristãos devam renunciar aos vínculos familiares e aos deveres de membro da sociedade. Significa antes que são chamados a viverem estes relacionamentos com liberdade e dedicação, respeitando o valor das pessoas e das coisas, bem como a própria dignidade.
Só chegará à condição de discípulo quem cumprir o mandato imposto por Nosso Senhor: “Se alguém quer ser meu discípulo, negue-se a si mesmo, tome sua cruz cada dia e me siga” (Lc 9,23). Isso não é um simples convite, mas uma exigência: “Quem não toma sua cruz… não pode ser meu discípulo” (Lc. 14,27), ou: “Quem se recusa a tomar sua cruz e me seguir não é digno de mim”.
Muitos não entendem ou não se aprofundam nesse grande mistério, que é abraçar a cruz, ou, simplesmente, não o aceitam. Vemos isto diariamente: quantas pessoas, diante da mais mínima dor, sofrimento ou qualquer contrariedade, renegam a Deus, caem no desespero ou procuram “refugiar-se” no mesmo pecado, como quem tenta tirar um espinho com outro espinho.
Para entender melhor a razão de abraçar a cruz, é necessário enxerga-la à luz da fé, deixando que ela ilumine nosso entendimento e, sobretudo, contemplar a Nosso Senhor Jesus Cristo, aprofundando-nos no conhecimento que temos a respeito da sua vida terrena, e, principalmente, tudo o que representou a sua Paixão e Morte, já que o amor à cruz nasce pela contemplação daquele que se deixou transpassar no madeiro por nossos pecados.
É necessário, portanto, carregar a cruz, e, mais meritório ainda, aceitá-la; mas se desejamos um mérito ainda maior diante de Cristo, é indispensável abraçar a cruz e apegar-se a ela como uma manifestação de amor. Tomar a cruz por amor a Cristo e não só aceitá-la, mas procurá-la voluntariamente para obter uma maior e melhor imitação com Ele.
Assim como foi preciso que Cristo padecesse para nos salvar (“é preciso que o Filho do Homem seja levantado para que todo aquele que crê não pereça”, Jo 13,14-15), nos alcançando a redenção com sua morte na cruz, assim também devemos padecer, não só para obter nossa salvação, mas também para imitar melhor a Nosso Senhor; como ensina São Cirilo de Jerusalém: “Jesus, que em nada tinha pecado, foi crucificado por ti; e tu, não te crucificarás por Ele, que foi cravado na cruz por amor a ti?”.
Para ser discípulo de Cristo é necessário, portanto, viver como Cristo viveu na Terra. E para imitá-lo em sua crucificação é necessária a perfeita abnegação de nós mesmos, negar-nos a nós mesmos, ao nosso próprio ego, aos pecados e aos prazeres da vida mundana. Obter a abnegação de nós mesmos não é outra coisa que o “…negue-se a si mesmo…”, como diz Nosso Senhor. Para isso, é necessário: O Espírito de Sacrifício.
Este espírito é a imolação, a entrega de nós mesmos. Sem este espírito é impossível corrigir-se dos vícios ou defeitos próprios, “aquilo que esfria muito o desejo de avançar na vida espiritual e corrigir-se, é o medo das dificuldades e do trabalho… se não te fazes violência, jamais poderás superar um só vício” (Tomás de Kempis, “Imitação de Cristo”, Livro I, cap. 25). Em outra parte do livro nos diz: “O amor que não nasce da cruz de Cristo é débil”; sem ele jamais chegaremos à santidade, a sermos verdadeiros discípulos de Cristo, nem sequer obteremos a salvação da alma.
Este espírito de sacrifício deve estender-se a tudo “…sempre e em toda hora, nas coisas pequenas e nas grandes, sem deixar nada de lado” (Imitação de Cristo, Livro III, cap. 37). Não há outra escola além da cruz, na qual Jesus Cristo ensina a seus discípulos como eles devem proceder. Devemos nos esforçar por conseguir isto para sermos imitadores de Cristo, que jamais procurou satisfazer “seus gostos”, mas, unicamente, cumprir com a vontade do Pai Celestial. “Eu faço sempre o que é de Seu agrado” (Jo 8,29). “Cristo não procurou sua própria complacência” (Rm 15,3).
Diz Santo Tomás: “Todo aquele que quiser levar uma vida perfeita não precisa fazer outra coisa que desprezar o que Cristo desprezou na cruz (o pecado, os vícios) e amar o que Cristo amou nela (a Deus, ao próximo)”A Jesus se ama e se serve na cruz e crucificados com Ele, e não de outro modo” (São Luis Orione).
O espírito de sacrifício deve nos levar a abandonar os pecados, tanto mortais quanto veniais, assim como as imperfeições e faltas de generosidade para com Deus. Deve nos levar a morrer para o mundo (o espírito mundano) e a tudo o que se oponha à Lei de Deus; deve nos levar também a abraçar o mandato de Nosso Senhor: “…tome cada dia sua cruz…”. Cruz que é:
- A cruz da humildade: quer dizer, reconhecer o que cada um é e o que cada um recebeu de Deus. É, por exemplo, ficar calado quando nos repreendem com razão e não nos justificar.
- A cruz da vontade: procurar o cumprimento fiel dos mandamentos, dos preceitos, dos conselhos evangélicos; cruz para renunciar à vontade própria e fazer a Vontade do Senhor.
- A cruz do próprio dever a ser cumprido: no estudo, no trabalho, no lar. Tratar de cumprir fielmente, mesmo sem ter bom ânimo.
- A cruz da paciência: diante da doença e das dificuldades de todos os dias; diante das humilhações, das incompreensões por parte de outros, e, sobretudo, suportando os defeitos alheios e os próprios.
- A cruz da fidelidade: fidelidade à vocação de cada um, ao dever de estado, aos propósitos pessoais etc.
- A cruz da luta: contra as paixões desordenadas e as tentações do mundo, do demônio e da carne.
A cruz e sempre a cruz, que é o único caminho da vida, e o sinal dos escolhidos de Deus, “se Deus nos abençoa com uma cruz, também nos abençoará com Sua Glória”.
Finalmente, não podemos deixar de recordar a Santíssima Virgem Maria, que permaneceu fiel a seu Filho e à Vontade de Deus. Ela foi a única que acompanhou sempre a Cristo ao longo de toda sua vida, não só por ser Sua Mãe, mas também por entender como ninguém, por graça de Deus, o mistério e o significado da cruz. Se Nossa Senhora quis padecer junto a seu Filho, podemos dizer que, de algum modo, Ela carregou espiritualmente a cruz de Cristo, porque soube antepor o seu amor e a sua entrega aos padecimentos que passou por Ele.
Que Ela nos conceda, por seu Filho, a graça de amar e carregar com generosidade a cruz de cada dia, para que, sofrendo com Cristo e por Cristo, vivamos com Ele e para Ele na eterna felicidade. Assim seja, amém.
Deus abençoe você!
Pe. Fábio Vanderlei, IVE
“Se alguém vem a mim, mas não se desapega”, diz Nosso Senhor, “até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. Isso que nos ensina o Evangelho deste domingo é não só algo difícil de pôr em prática, mas também uma atitude impossível se não formos movidos pelo amor a Deus e sustentados por sua infinita graça.Ouça a homilia dominical do Padre Paulo Ricardo e perceba que só conseguimos nos desapegar desta vida se nutrirmos um grande amor a Deus.
Santo do dia 07/09/2025
Santo Anjo da Guarda do Brasil (Memória Facultativa)
Data: 07 de Setembro
São Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, que escreveu um magnífico tratado sobre os Anjos, ensina-nos que não somente os homens, mas também as nações, as cidades e as instituições da Igreja, todos têm um Anjo da Guarda, escolhido por Deus, para guardá-las e reger os seus destinos segundo a finalidade para a qual Ele as constituiu.
Portugal foi a primeira nação a prestar culto oficial e litúrgico ao seu Anjo custódio com Missa e ofício divino próprios, sob o Papa Leão X. Essa festa é um feriado nacional, celebrado atualmente no dia 10 de junho.
O Anjo da Guarda do Brasil era celebrado no dia 7 de setembro, muito honrado no período do Império. Embora esse anjo não tenha sido identificado como o Arcanjo Rafael, alguns bispos consagraram o Brasil a esse arcanjo, como protetor da nação brasileira. Tanto assim que, durante a Revolução de 1930, os brasileiros invocaram a proteção de São Rafael. Foram 21 dias de confronto sangrento: o movimento armado liderado pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, culminou com o golpe de estado, que depôs o presidente Washington Luís e impediu a posse de Julio Prestes. A conclusão do conflito se deu no dia 24 de outubro, data em que se festejava São Rafael Arcanjo.
Outra informação relevante que vale uma verificação é que na basílica velha de Aparecida, aos pés de Nossa Senhora, está o Arcanjo Rafael.
Existe uma imagem do Anjo da Guarda do Brasil cuja origem não conseguimos ainda identificar, mas consta em um folheto com sua descrição, que reproduzimos aqui:
Numa mão o Anjo segura a Santa Cruz como que a implantando. Isso recorda o fato histórico e marcante da primeira grande Cruz levantada em terras brasileiras por ocasião da primeira santa Missa celebrada na praia da Coroa Vermelha no litoral sul da Bahia em 26 de abril de 1500. Portanto, símbolo querido e já presente desde o início da colonização. O Brasil no início foi chamado de “Terra de Santa Cruz”, por isso aos pés do Anjo a frase: Terra Sanctae Crucis.
Na outra mão o Anjo sustenta a pequenina imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que de forma especial resume e caracteriza a “espiritualidade” da nação brasileira. Podemos pensar que, se os Anjos das nações, direta ou indiretamente, intervêm na formação da nação a ele confiada, podemos acreditar que este Anjo de alguma forma guiou as redes dos pescadores que achariam a preciosa imagem. Por isso a capa do Anjo tem forma de rede, que também nos Evangelhos aparece e é de profundo significado. Quem podia imaginar que de um fato tão pequeno surgiria a Padroeira e Rainha do Brasil, tão amada pelos brasileiros! A túnica do Anjo representa o “pau Brasil” de quem o Brasil toma o nome.
No seu conjunto, seja pela Cruz em forma de bastão, os peixes e o amor ardente que brota do “coração” do Anjo como uma brasa ardente, tendo em conta a oração da Súplica Ardente aos Santos Anjos, de alguma forma emerge da imagem a figura do Arcanjo São Rafael. Não que seja ele mesmo, mas certamente pode existir certa ligação entre os dois Anjos, uma vez que o Brasil foi por alguns bispos no passado consagrado a esse Arcanjo, como protetor da nação brasileira e guia dos Tobias, Ragueis e Saras brasileiros.
Por fim, vemos embaixo do manto protetor do Anjo o mapa do Brasil, mostrando assim a sua proteção e carinho pela pátria.
Fonte: templariodemaria.com
Santo Anjo da Guarda do Brasil, rogai por nós!
Santa Regina (Memória Facultativa)
Local: Alésia, Gália
Data: 07 de Setembro
Nos últimos tempos o nome de Regina foi muito apreciado, talvez só por soar bem. Mas poderia ser também pela realidade régia que ele exprime. Ou por causa de Nossa Senhora, que é chamada Rainha dos Mártires, das Virgens, dos Confessores etc.? Mas, será que alguém já pensou nas santas que tiveram esse nome? Pensou em dar por patrona a sua filha uma das santas chamadas Regina?
Encontramos sobretudo duas. Ambas na França, em épocas diversas.
Uma tem sua memória a 1 de julho. Viveu no século VIII, e descendia de ilustre familia do Hainaut. Desposou o conde Adalberto d Ostrevant e teve uma filha chamada Renfrida ou Reginfreda, que veio a ser abadessa do novo mosteiro de Denain e que, após sua morte, foi venerada como santa, festejada a 8 de outubro. O mosteiro de Denain fora fundado por Regina, ao ficar viúva, ainda jovem. Naquele mesmo mosteiro situado perto de Valenciennes, a própria condessa viúva tomou o véu de beneditina, santificando-se na oração e no trabalho.
Quando a filha se tornou abadessa, Regina se submeteu de boa vontade à obediência para com aquela que gerara na carne e que agora se tornava sua mãe espiritual.
A outra Regina, cuja memória é celebrada no dia 7 de setembro, é objeto de culto muito antigo. O manuscrito de Berna do Martirológio jeronimiano assim se exprime: "No território da cidade eduana, em Alísia, morte de santa Regina, mártir". Isso supõe um culto em Alísia, antes de 628. O duplo testamento de Widerade, fundador da abadia beneditina de Flavigny, perto de Alísia (Costa do Ouro), mostra que por volta de 750 a Santa tinha uma basílica em sua honra, em Alísia, onde se achavam suas relíquias. Segundo as leituras litúrgicas do século IX, publicadas por um maurino, Dom Viole, em 1653, o corpo de Regina ficara algum tempo no lugar do martírio, fora de Alísia. Levado depois para a cidade, foi colocado num sarcófago de pedra, sobre o qual se edificou uma basílica, que se tornou lugar de peregrinação. Um mosteiro foi construído perto. Também uma igreja paroquial.
As relíquias de santa Regina deram margem a muitas discussões. Acreditava-se estar seu corpo em Osnabruck; em 1648, por ocasião das negociações do tratado de Vestfália, o duque de Longueville conseguiu uma relíquia para Alísia. Mas Flavigny protestou. Em 1649, um médico constatou que o osso do braço (rádio) trazido de Osnabruck já se achava em Flavigny. Em 1693 o bispo de Autum impôs silêncio aos dois partidos, autorizando um e outro a expor suas relíquias. Em 1652, publicou-se um próprio de Osnabruck, no qual se substituiu em toda parte a Regina de Alísia por uma Regina companheira de santa Úrsula, substituição inteiramente arbitrária. Natural de Alise, Regina era filha de Olíbrio, um dos governadores da Gália, no século III. Órfã de mãe, Regina converteu-se ao cristianismo e sofreu o martírio pelo seu próprio pai, que era pagão. Ele preferiu matá-la, ainda muito jovem, do que passar vergonha por ter uma filha cristã. O Martirológio Romano diz, no dia 7 de setembro: "Em Alísia, no território de Autum, santa Regina, virgem e mártir, que, sob o pro cônsul Olíbrio, sofreu os suplícios do cárcere e outros. Por fim, foi degolada e voou para junto do esposo".
Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
Santa Regina, rogai por nós!



