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Antífona de entrada

Estes são os Santos que receberam a bênção do Senhor e a misericórdia de Deus, seu Salvador. É a geração dos que buscam a Deus. (Cf. Sl 23, 5-6)
Dilexísti iustítiam, et odísti iniquitátem: proptérea unxit te Deus, Deus tuus, óleo laetítiae prae consórtibus tuis. Ps. Eructávit cor meum verbum bonum: dico ego ópera mea regi. (Ps. 44, 8 et 2)
Vernáculo:
Vós amais a justiça e odiais a maldade. É por isso que Deus vos ungiu com seu óleo, deu-vos mais alegria que aos vossos amigos. Sl. Transborda um poema do meu coração; vou cantar-vos, ó Rei, esta minha canção; minha língua é qual pena de um ágil escriba. (Cf. LH: Sl 44, 8 e 2)

Oração do dia

Ó Deus, que, na vossa misericórdia, atraístes Santa Clara ao amor da pobreza, concedei, por sua intercessão, que, seguindo o Cristo com um coração de pobre, vos contemplemos um dia em vosso reino. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Primeira Leitura (Ez 12, 1-12)


Leitura da Profecia de Ezequiel


1A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 2“Filho do homem, estás morando no meio de um povo rebelde. Eles têm olhos para ver e não veem, ouvidos para ouvir e não ouvem, pois são um povo rebelde. 3Quanto a ti, Filho do homem, prepara para ti uma bagagem de exilado, em pleno dia, à vista deles. Emigrarás do lugar onde estás, à vista deles, para outro lugar. Talvez percebam que são um povo rebelde. 4Deverás tirar a bagagem em pleno dia, à vista deles, como se fosse a bagagem de um exilado. Mas deverás sair à tarde, à vista deles, como quem vai para o exílio.

5À vista deles deverás cavar para ti um buraco no muro, pelo qual sairás; 6deverás carregar a bagagem nas costas e retirá-la no escuro. Deverás cobrir a face para não ver o país, pois eu fiz de ti um sinal para a casa de Israel”.

7Eu fiz assim como me foi ordenado. Tirei a bagagem durante o dia, como se fosse a bagagem de exilado; à tarde, abri com a mão um buraco no muro. Saí ao escuro, carregando a bagagem às costas, diante deles. 8De manhã, a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 9“Filho do homem, não te perguntaram os da casa de Israel, essa gente rebelde, o que estavas fazendo?

10Dize-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Este oráculo refere-se ao príncipe de Jerusalém e a toda a casa de Israel que está na cidade. 11Dize: Eu sou um sinal para vós. Assim como eu fiz, assim será feito com eles: irão cativos para o exílio. 12O príncipe que está no meio deles levará a bagagem às costas e sairá ao escuro. Farão no muro um buraco para sair por ele. O príncipe cobrirá o rosto para não ver com seus olhos o país”.

— Palavra do Senhor.

— Graças a Deus.


Salmo Responsorial (Sl 77)


℟. Das obras do Senhor não se esqueçam.


— Mesmo assim, eles tentaram o Altíssimo, recusando-se a guardar os seus preceitos. Como seus pais, se transviaram, e o traíram como um arco enganador que volta atrás; ℟.

— irritaram-no com seus lugares altos, provocaram-lhe o ciúme com seus ídolos. Deus ouviu e enfureceu-se contra eles, e repeliu com violência a Israel. ℟.

— Entregou a sua arca ao cativeiro, e às mãos do inimigo a sua glória; fez perecer seu povo eleito pela espada, e contra a sua herança enfureceu-se. ℟.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos! (Sl 118, 135) ℟.

Evangelho (Mt 18, 21-19, 1)


℣. O Senhor esteja convosco.

℟. Ele está no meio de nós.


℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo  segundo Mateus 

℟. Glória a vós, Senhor.


Naquele tempo, 18, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna.

25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei tudo’. 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’.

29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! E eu te pagarei’. 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’

34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”. 19, 1Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território da Judeia além do Jordão.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.


Antífona do Ofertório

Filiae regum in honóre tuo, ástitit regína a dextris tuis in vestiíu deauráto, circúmdata varietáte. (Ps. 44, 10)


Vernáculo:
As filhas de reis vêm ao vosso encontro, e à vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir. (Cf. LH: Sl 44, 10)

Sobre as Oferendas

Sejam aceitos por vós, ó Deus, os frutos do nosso trabalho que trazemos ao vosso altar em honra de santa Clara, e concedei que, livres da avidez dos bens terrenos, tenhamos em vós a única riqueza. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da Comunhão

Provai e vede como o Senhor é bom; feliz de quem nele encontra seu refúgio. (Sl 33, 9)
Quinque prudéntes vírgines accepérunt óleum in vasis suis cum lampádibus: média autem nocte clamor factus est: ecce sponsus venit: exíte óbviam Christo Dómino. (Mt. 25, 4. 6; ℣. Ps. 44, 2ab. 11. 12. 13. 14. 15. 16)
Vernáculo:
As prudentes, porém, além das suas lamparinas, levaram óleo nas vasilhas. No meio da noite, ouviu-se um alvoroço: (Cf. Bíblia CNBB: Mt 25, 4. 6) Eis que vem o esposo, ide ao encontro do Cristo, o Senhor! (Cf. MR: Mt 25, 6)

Depois da Comunhão

Ó Deus, pela força deste sacramento, conduzi-nos constantemente no vosso amor, a exemplo de santa Clara, e completai, até a vinda do Cristo, a obra que começastes em nós. Por Cristo, nosso Senhor.

Homilia do dia 11/08/2022
Por que não conseguimos perdoar?

Somos incapazes de perdoar ao irmão porque, cegos e orgulhosos, não queremos nos humilhar sob a poderosa mão de Deus, reconhecendo que somos nós seus primeiros e grandes devedores.

Jesus fala-nos no Evangelho de hoje a respeito do perdão, que a ninguém, por maior que sejam suas dívidas, devemos negar: “Senhor”, pergunta-lhe Pedro, “quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?”, ao que Ele responde: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. Ora, a dificuldade maior que têm as pessoas em perdoar se deve, antes de tudo, à soberba: não perdoam porque veem só o que lhes é devido, mas não o que elas mesmas devem; indignam-se com as ofensas recebidas, mas esquecem sem demora as ofensas praticadas; têm a memória pronta para lembrar o quanto lhes fizeram mal, mas não se recordam nunca de que foram elas, quando ainda eram inimigas de Deus, as primeiras a ser perdoadas (cf. Rm 5, 10). Assim somos nós, rápidos em lembrar o que nos é devido, lentos para reconhecer os benefícios que por pura liberdade Deus nos concedeu. Somos demasiado suscetíveis, apegados às nossas emoções e à honra que julgamos possuir; estamos a todo instante mordendo e remoendo, numa sorte de inferno interior, a menor palavra mal colocada, qualquer olhar atravessado, todo gesto que nos tenha ferido de um modo ou de outro. A tal ponto a soberba se apodera de nós que, crendo-nos o centro do mundo, nos tornamos incapazes de reconhecer que, mais do que vítimas, somos autores de grandes injustiças não só contra o próximo, mas contra Deus. Que Ele, cuja lei tantas vezes quebramos, se digne purificar nossa memória, fazendo-nos ter continuamente presente quão pouco nos é devido e o muito que devemos: “Quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós […]. Quando éramos ainda inimigos”, objetos da ira divina, “fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho” (Rm 5, 7.10).

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Santo do dia 11/08/2022


Santa Clara de Assis (Memória)
Local: Assis, Itália
Data: 11 de Agosto † 1253


Clara de Assis brilhou certamente entre as grandes santas mulheres na história da Igreja. Como o nome expressa, ela foi uma estrela reluzente.

Seu biógrafo Frei Tomás de Celano diz dela: Clara de nome, mais clara pela vida, claríssima pelos costumes.

Na Bula de canonização, o papa Alexandre IV escreve: Clara, preclara por seus claros méritos, clareia claramente no céu pela claridade da grande glória, e na terra pelo esplendor dos milagres sublimes. Brilha aqui claramente sua estrita e elevada religião, irradia no alto a grandeza de seu prêmio eterno, e sua virtude resplandece para os mortais com sinais magníficos.

Clara nasceu no ano de 1193/1194, em Assis, na Itália, da ilustre família dos Offreduccio. Seu pai era Favarone Offreduccio. Pelos 18 anos ela foi apresentada a Francisco por seu primo Frei Rufino.

Entusiasmada pelo tipo de vida de seu conterrâneo, procurou segui-lo na medida do possível. Era uma jovem rica, inteligente e de extraordinária beleza. Na primavera de 1212, na cerimônia dos ramos, o bispo, certamente já avisado por Francisco das intenções de Clara, desceu do altar e lhe entregou um ramo bento. Seria a anuência do Bispo para que Francisco recebesse Clara em sua consagração religiosa. Naquela mesma noite fugiu de casa e recebeu a veste religiosa na Porciúncula, onde Francisco vivia com seus companheiros.

Depois de mudar-se de um a outro mosteiro, devido à busca promovida pela família, foi para São Damião, onde havia a capela restaurada por Francisco. Ali Clara vai for mar o primeiro mosteiro da nova Ordem das Damas Pobres ou Clarissas. Alguns dias depois, seguiu-a, também pela fuga, sua irmã Inês, que será canonizada mais tarde, e depois outra irmã, Beatriz. Também sua mãe Hortolana terminará seus dias em São Damião.

Clara, com suas irmãs de São Damião, realizará de modo eminente a faceta contemplativa do ideal de São Francisco, dentro do espírito da mais estrita pobreza.

Em Clara, a Igreja contempla o ideal da virgindade cristã como seguimento do Cristo esposo. Está fortemente presente a espiritualidade dos esponsais ou das núpcias com o Cordeiro divino, Jesus Cristo, a que é chamada toda a humanidade. A virgindade consagrada sempre foi considerada como um grande valor no seguimento do Cristo obediente, pobre e virgem na total entrega ao Pai e a serviço do Reino. A virgindade pode ser apreciada como símbolo significativo da identidade mais profunda da mulher e de sua potencialidade de vida, tendo como fonte o amor verdadeiro. Jovem, ela como que acumula um tesouro que será investido na aventura do amor verdadeiro, fonte de vida. Clara colocou toda esta potencialidade do amor a serviço do amor de Deus, da multidão de virgens que Deus lhe deu como filhas espirituais, e de toda a humanidade, através de sua vida de oração.

No entanto, na vida de Santa Clara existe uma intima relação entre a espiritualidade dos esponsais, enaltecida no Cântico dos Cânticos e a altíssima pobreza. Tratava-se de esvaziar seu coração de tudo o que pudesse prendê-lo. para dar espaço ao amor universal, amor filial a Deus e amor fraternal ou de irmã ao próximo e a todo o criado, a exemplo de Francisco.

Durante toda a vida Clara lutará para seguir de perto o tipo de pobreza ideado por São Francisco, que as autoridades eclesiásticas do tempo julgavam mais ou menos incompatível com a vida religiosa feminina enclausurada, como o era a das clarissas. Forçada a aceitar estruturas da vida monástica feminina contemporânea, Clara procurou insuflar nas companheiras o espírito que bebera em São Francisco.

Clara foi enquadrada no estilo de vida consagrada do monaquismo. Não havia lugar ainda para uma vida religiosa feminina consagrada de tipo apostólico, como foi inaugurada por Francisco de Assis. Clara teve que aceitar, por exemplo, o título de abadessa, próprio de outras monjas, e a casa ou convento foi chamado de mosteiro, entidade autônoma. Somente poucos dias antes da mor te, ela conseguiu a aprovação papal de uma Regra, por ela mesma redigida sob inspiração da Regra dos Frades Menores. O enquadramento no estilo monástico de vida talvez explique o fato de, pouco tempo depois da morte de Santa Clara, começarem a surgir Congregações franciscanas femininas de vida regular e apostólica. Hoje são as mais de 400 Congregações Franciscanas que observam a Regra da Terceira Ordem Regular de São Francisco (TOR), as nossas Congregações franciscanas.

Vale a pena lembrar suas últimas palavras no leito de morte, depois de abençoar suas irmãs e filhas presentes e futuras: "Vai em paz, minha alma, porque seguiste o bom caminho; vai confiante, porque teu Criador te santificou, te protegeu constantemente e te amou com toda a ternura de uma mãe por seu filho. Ó Deus, bendito sejas por me teres criado".

Clara faleceu no pequeno mosteiro de São Damião, Assis, em 1253, sendo declarada santa dois anos depois.

A Ordem das Clarissas, a II Ordem Franciscana, espalhou-se rapidamente, contando atualmente em torno de 19.000 religiosas, sob várias denominações segundo a Regra que observam.

A Oração coleta realça Santa Clara em seu amor à pobreza. Pede que, por sua intercessão, possamos seguir o Cristo com um coração de pobre e contemplá-lo um dia no reino dos Céus.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.