Santa Luzia, Virgem Mártir, memória
Antífona de entrada
Vernáculo:
Vós amais a justiça e odiais a maldade. É por isso que Deus vos ungiu com seu óleo, deu-vos mais alegria que aos vossos amigos. Sl. Transborda um poema do meu coração; vou cantar-vos, ó Rei, esta minha canção; minha língua é qual pena de um ágil escriba. (Cf. LH: Sl 44, 8 e 2)
Coleta
Ó Deus, que a intercessão da gloriosa virgem santa Luzia reanime o nosso fervor, para que possamos hoje celebrar o seu martírio e contemplar, um dia, a sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Primeira Leitura (Nm 24, 2-7. 15-17a)
Leitura do Livro dos Números
Naqueles dias, 2Balaão levantou os olhos e viu Israel acampado por tribos. O espírito de Deus veio sobre ele, 3e Balaão pronunciou seu poema: “Oráculo de Balaão, filho de Beor, oráculo do homem que tem os olhos abertos; 4oráculo daquele que ouve as palavras de Deus, que vê o que o poderoso lhe faz ver, que cai, e seus olhos se abrem.
5Como são belas as tuas tendas, ó Jacó, e as tuas moradas, ó Israel! 6Elas se estendem como vales, como jardins ao longo de um rio, como aloés que o Senhor plantou, como cedros junto das águas. 7A água transborda de seus cântaros, e sua semente é ricamente regada. Seu rei é mais poderoso do que Agag, seu reino está em ascensão”.
15E Balaão continuou pronunciando o seu poema: “Oráculo de Balaão, filho de Beor, oráculo do homem que tem os olhos abertos, 16oráculo daquele que ouve as palavras de Deus, e conhece os pensamentos do Altíssimo, que vê o que o Poderoso lhe faz ver, que cai, e seus olhos se abrem.
17aEu o vejo, mas não agora; e o contemplo, mas não de perto. Uma estrela sai de Jacó, e um cetro se levanta de Israel”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial (Sl 24)
℟. Fazei-me conhecer a vossa estrada, ó Senhor!
— Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação. ℟.
— Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e a vossa compaixão que são eternas! De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia e sois bondade sem limites, ó Senhor! ℟.
— O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho. ℟.
℣. Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade e a vossa salvação nos concedei! (Sl 84, 8) ℟.
Evangelho (Mt 21, 23-27)
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 23Jesus voltou ao Templo. Enquanto ensinava, os sumos sacerdotes e os anciãos do povo aproximaram-se dele e perguntaram: “Com que autoridade fazes estas coisas? Quem te deu tal autoridade?”
24Jesus respondeu-lhes: “Também eu vos farei uma pergunta. Se vós me responderdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. 25Donde vinha o batismo de João? Do céu ou dos homens?”
Eles refletiam entre si: “Se dissermos: ‘Do céu’, ele nos dirá: ‘Por que não acreditastes nele?’ 26Se dissermos: ‘Dos homens’, temos medo do povo, pois todos têm João Batista na conta de profeta”. 27Eles então responderam a Jesus: “Não sabemos”. Ao que Jesus também respondeu: “Eu também não vos direi com que autoridade faço estas coisas”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Afferéntur regi vírgines: próximae eius afferéntur tibi in laetítia et exsultatióne: addicéntur in templum regi Dómino. (Ps. 44, 15. 16)
Vernáculo:
Em vestes vistosas ao Rei se dirige, e as virgens amigas lhe formam cortejo; entre cantos de festa e com grande alegria, ingressam, então, no palácio real. (Cf. LH: Sl 44, 15. 16)
Sobre as Oferendas
Ó Deus, ouvi as nossas preces, ao proclamarmos as vossas maravilhas em santa Luzia e, assim como vos agradou por sua vida, seja de vosso agrado o nosso culto. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Vernáculo:
Os poderosos me perseguem sem motivo; meu coração, porém, só teme a vossa lei. Tanto me alegro com as palavras que dissestes, quanto alguém ao encontrar grande tesouro. (Cf. LH: Sl 118, 161. 162)
Depois da Comunhão
Senhor nosso Deus, fortalecidos pela participação nesta Eucaristia, fazei que, a exemplo de santa Luzia, nos esforcemos por servir unicamente a vós, trazendo em nosso corpo os sinais dos sofrimentos de Jesus. Que vive e reina para sempre.
Homilia do dia 13/12/2021
Resgatemos a moral dos nossos tempos
“Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo aproximaram-se dele e perguntaram: 'Com que autoridade fazes estas coisas? Quem te deu tal autoridade?'” (Mateus 21,23).
Quando olhamos a hipocrisia que está, muitas vezes, no coração de cada um de nós, refletindo naquilo que nós fazemos, falamos e perguntamos, temos o exemplo dos hipócritas que são os sumos sacerdotes e os anciãos do povo do Evangelho de hoje. Eles querem saber de onde provém a autoridade de Jesus, e não estão se referindo a autoridade humana, porque Jesus “não tinha autoridade nenhuma”, Ele não era chefe de ninguém. Ele tinha o seu grupo de discípulos, era um humilde carpinteiro, mas tinha autoridade moral, Ele tinha autoridade sobre os espíritos malignos, tinha autoridade sobre as doenças e as enfermidades, Ele tinha a autoridade da vida, que é autoridade mais necessária.
Há pessoas que têm cargos de autoridades, mas não têm autoridade da vida, não têm autoridade moral, não têm autoridade do exemplo. Que não caiamos nessa mentalidade perniciosa, pois não basta ser pai, tem que ter autoridade moral de pai; não basta ser mãe, tem que ter autoridade moral de mãe.
Precisamos olhar para Jesus que tinha autoridade moral em tudo o que fazia para recuperarmos e resgatarmos a moral dos nossos tempos
E autoridade moral não se confunde com autoritarismo, porque nas sociedades autoritárias são assim: elas mantêm as pessoas sobre o controle, o cabresto, na força, na violência e essa autoridade mundana que se reveste de autoritarismo, muitas vezes, entra também em nossas casas e famílias.
Quando o pai quer manter seus filhos à base do chicote, à base da gritaria, do grito: “Eu que mando nessa casa”, quem manda nunca precisa dizer que manda, pois a sua presença já diz quem manda, o seu exemplo já diz quem manda. Mas, quem manda não é quem manda ordenando, é quem manda fazendo. Jesus não mandou os Seus discípulos lavar os pés, Ele foi lá e os lavou; Jesus não mandou os Seus discípulos curar os doentes, Ele foi lá e curou, Ele o fez.
Então, essa é a autoridade de Jesus, a autoridade do exemplo, da vida, da prática; a autoridade de quem é revestido do amor de Deus, e esses que eram chefes, eram sumos sacerdotes, anciãos do povo, eles não tinham autoridade sobre o povo, porque eles tinham a autoridade apenas do autoritarismo. Quem desobedecesse seria preso, chicoteado e, dependendo, até à morte era levado. Era assim que se mantinha a autoridade, é assim que se mantém, muitas vezes, as autoridades nos tempos em que vivemos, mas essa não pode ser a nossa autoridade em nada que fazemos, não precisamos jamais usar da violência para mostrarmos que temos autoridade; firmeza muitas vezes é necessária. A mãe, o pai, nós sabemos corrigir com aquela firmeza, aquela destreza necessária, sem jamais usar da violência.
Quem tem autoridade cuida acima de tudo, não vive cobrando aquilo que ele mesmo não dá exemplo, é por isso que a crise moral dos nossos tempos é, sobretudo, a crise de autoridade. Precisamos olhar para Jesus que tinha autoridade moral em tudo o que fez para recuperarmos e resgatarmos a moral dos nossos tempos.
Tenhamos autoridade para falar, mas que ela venha do fazer, que ela venha das obras e dos bons exemplos. É isso que o nosso tempo, mais do que nunca, precisa!
Deus abençoe você!
Pe. Roger AraújoSacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.
Facebook/padrerogeramigo
Na jovem Santa Luzia, padroeira de Siracusa e da Sicília, além de protetora das pessoas que têm problemas de visão, a Igreja venera um duplo testemunho: o da virgindade de corpo e de alma, que ela guardou com inigualável heroísmo, e o do martírio, que ela suportou pacientemente por amor a Jesus Cristo, a cujo palácio celeste os próprios anjos conduzem pela mão as almas puras e virginais.Assista à homilia do Padre Paulo Ricardo para esta segunda-feira, dia 13 de dezembro, e peçamos ao Senhor que, pela intercessão de Santa Luzia, nos cure da cegueira dos erros e nos infunda no coração a virtude da santa pureza.
Santo do dia 13/12/2021

Santa Luzia (Memória)
Local: Siracusa, Itália
Data: 13 de Dezembro † 304/305
Santa Luzia, cujo nome evoca a luz, é mencionada no Cânon romano. Poucas são as notícias realmente históricas, que chegaram até nós desta mártir siciliana. Provavelmente, ela foi martirizada em Siracusa sob Diocleciano por volta do ano 304. Uma inscrição encontrada nas catacumbas de Siracusa atesta o culto a Luzia no fim do século IV ou começo do século V. O culto passou também a Roma e deixou sua marca no Canon romano da Missa, onde Luzia é lembrada ao lado de outra mártir siciliana, Santa Águeda.
A lenda posterior veio embelezar a vida de Luzia, fazendo dela não apenas uma mártir da fé, como também uma propagadora do ideal da castidade consagrada a Deus. A Antífona das Vésperas, tirada da narração da sua paixão, saúda-a como "esposa de Cristo": Ó Santa Luzia, esposa de Cristo, paciente lutando, ganhastes a vida, banhada de sangue vencestes o mundo e agora brilhais entre os coros dos anjos.
Segundo a passio, a história de sua paixão, surgida entre os séculos V e VI, Santa Luzia pertencia a uma rica e nobre família cristã de Siracusa. Recebeu primorosa educação cristã, de modo que se sentiu dominada pelo amor a Cristo, emitindo, desde cedo, o voto de perpétua virgindade. Ficando órfã de pai, sua mãe desejava que Luzia contraísse matrimônio com um jovem de distinta família, mas pagão. Na sua perplexidade, Luzia pediu que The fosse concedido um prazo de tempo para melhor amadurecer sua resolução de castidade pela oração. A mãe adoeceu e ambas teriam feito uma romaria ao túmulo de Santa Águeda, em Catânia. Por intercessão de Santa Águeda, Luzia conseguiu a cura de sua mãe. Após a longa oração Luzia encontrou a mãe completamente curada. Voltaram para Siracusa e aí surgiu novamente a proposta de casamento que ela recusou terminantemente. O jovem que nutria a esperança de casar com Luzia, tendo notícia da obstinada recusa e do gesto em favor dos pobres a quem distribuíra seus bens, transformou o amor em ódio e denunciou-a perante o governador Pascásio. Perante o juiz que lhe intimava a sacrificar aos deuses e manter a palavra do casamento, Luzia respondeu: "Nem uma, nem outra coisa farei". O processo continuou com ameaças de todo tipo. Por último, foi decapitada.
À lenda acrescentou-se, mais tarde, outro dado, algo chocante, frequente objeto das representações artísticas: em resposta contundente ao seu algoz, o prefeito Pascásio, que a manteve presa e a cobiçava para sua mulher, Luzia arrancou os olhos e lhos enviou numa bandeja. É daí que Santa Luzia é invocada como protetora contra as doenças dos olhos e padroeira dos lapidadores. Esta devoção provavelmente se deu à luz da lenda da doação dos olhos acima lembrada ou ao fato de que o nome Luzia se liga à palavra luz, sinônimo de luminosa, luzidia.
A Oração coleta não entra nos elementos lendários da vida de Santa Luzia. Lembra diante de Deus a virgem e a mártir, tendo ela conquistado através do seu martírio a dupla coroa, a da virgindade e a do martírio. Faz final mente alusão à luz, pedindo que possamos contemplar, um dia, a sua glória: Ó Deus, que a intercessão da gloriosa virgem Santa Luzia reanime o nosso fervor, para que possamos hoje celebrar o seu martírio e contemplar, um dia, a sua glória.
Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.